sexta-feira, dezembro 04, 2015
Tanta coisa aconteceu. (Parece que eu sempre começo os textos aqui pensando isso.)
Sinto saudades da risada do meu pai. Ele faleceu há 5 meses.
Houve um tempo em que meu maior desafio era passar no vestibular. Depois, foi passar na residência médica. O tempo todo na residência os chefes me dizem que meu maior desafio é ser uma psiquiatra brilhante.
Mal sabem eles que, no momento, meu maior objetivo é economizar pra levar minha mãe à Disney. Era o sonho dela desde a infância e ela nunca o realizou porque, ao atingir a vida adulta, o maior desafio dela foi cuidar do meu irmão e de mim.
Creio que eu devo isso a ela.
Creio que o nosso maior desafio é reconhecer que a vida passa muito rápido, e que nós temos que parar pra observar a paisagem de vez em quando.
[[[[[[Qual seu maior desafio? O que realmente te importa ?]]]]]]
terça-feira, dezembro 25, 2012
E agora?
Já se completaram 6 meses desde que me formei. Mamãe, quando me apresenta para alguém, enche o peito de ar tal qual um pombo e diz:
- Essa é minha filha. Ela é médica.
Mal sabe ela que o certo deveria ser:
- Essa é minha filha. Nesse exato momento, ela está se questionando o que djabos vai fazer do futuro dela. Ela não faz a mínima idéia de qual vai ser o plano agora. Vamos falar de outra coisa como, por exemplo, as imitações dos óculos wayfarer da Rayban que aquele aquele vendedor ambulante do outro lado da rua está oferecendo àquele motorista, pois não?
Preciso de um destino.. E rápido.
- Essa é minha filha. Ela é médica.
Mal sabe ela que o certo deveria ser:
- Essa é minha filha. Nesse exato momento, ela está se questionando o que djabos vai fazer do futuro dela. Ela não faz a mínima idéia de qual vai ser o plano agora. Vamos falar de outra coisa como, por exemplo, as imitações dos óculos wayfarer da Rayban que aquele aquele vendedor ambulante do outro lado da rua está oferecendo àquele motorista, pois não?
Preciso de um destino.. E rápido.
Marcadores:
#niilismoexistencial
quarta-feira, novembro 21, 2012
Conversas frívolas
- Você ainda lê aquele blog que zoava as blogueiras da moda?
- O Shame? Parei de ler quando percebi que a autora se pelava de inveja/despeito/frustração do que tanto criticava. Mostraram depois por uns artigos antigos que ela mesma tinha tentado ser uma dessas blogueiras e não teve sucesso. A coitada era meio cafona. - E o que isso tem demais? Estava bem claro que ela nutria um ódio maluco dessas blogueiras, sabe-se lá por qual razão, que , nesse caso, só se descobriu depois..
- Aí que está. Se algo te faz rir, por que você tem que obrigatoriamente odiá-lo? A risada já vale o momento, e se a entidade risível não existisse, não haveria o sorriso. Se ela zoasse pelo exercício da risada, sem problemas. Mas criticar porque queria ser/estar ali, querer o mal, desejar o mal.. Pra quê? As blogueiras vão continuar existindo apesar disso, e é ótimo que elas existam porque isso é motivo pra ainda mais piadas. Se elas expõem a vida na internet, é sinal que elas querem é publicidade, mesmo. Então, se elas dão motivo pra brincadeira..
- Pra você, trollar a vida alheia pode ser uma diversão sem intenções maléficas?
- Exatamente, só para exercitar a dialética. Tudo fica mais divertido assim, e você pode vir a ser o alvo da brincadeira um dia. E rir disso, também.
- Lembrei da Clarice. "Eu te deixo ser; deixa-me ser, também."
- Eu adaptaria "eu vou te perturbar enquanto você me der motivo, mas se você descobrir algum podre meu, aí eu me lasquei".
- Poético.
- Né? Curti.
- O Shame? Parei de ler quando percebi que a autora se pelava de inveja/despeito/frustração do que tanto criticava. Mostraram depois por uns artigos antigos que ela mesma tinha tentado ser uma dessas blogueiras e não teve sucesso. A coitada era meio cafona. - E o que isso tem demais? Estava bem claro que ela nutria um ódio maluco dessas blogueiras, sabe-se lá por qual razão, que , nesse caso, só se descobriu depois..
- Aí que está. Se algo te faz rir, por que você tem que obrigatoriamente odiá-lo? A risada já vale o momento, e se a entidade risível não existisse, não haveria o sorriso. Se ela zoasse pelo exercício da risada, sem problemas. Mas criticar porque queria ser/estar ali, querer o mal, desejar o mal.. Pra quê? As blogueiras vão continuar existindo apesar disso, e é ótimo que elas existam porque isso é motivo pra ainda mais piadas. Se elas expõem a vida na internet, é sinal que elas querem é publicidade, mesmo. Então, se elas dão motivo pra brincadeira..
- Pra você, trollar a vida alheia pode ser uma diversão sem intenções maléficas?
- Exatamente, só para exercitar a dialética. Tudo fica mais divertido assim, e você pode vir a ser o alvo da brincadeira um dia. E rir disso, também.
- Lembrei da Clarice. "Eu te deixo ser; deixa-me ser, também."
- Eu adaptaria "eu vou te perturbar enquanto você me der motivo, mas se você descobrir algum podre meu, aí eu me lasquei".
- Poético.
- Né? Curti.
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#buzices
sexta-feira, setembro 07, 2012
::::Manifesto de uma mulher P da vida:::
Cambada, escrever sempre me foi um consolo. Isso pode parecer piegas e coisa de menininha virgem de 4a serie, mas essa é a verdade: escrever desova. Desova a raiva, o rancor, o chilique, desova tudo. Sendo assim.. ESCREVAMOS.
Esse manifesto é, antes de tudo, uma desova de pensamentos escondidos. Sim, porque todo relacionamento é MINADO por pensamentos escondidos, tais quais: será que ele(a) é a pessoa ideal para mim ? Será que eu sou um(a) besta nessa história toda? Será que eu deveria fundar uma comunidade hippye no parque aqui na frente de casa e acabar com essa bosta de uma vez por todas?
A confusão começou com um simples aniversário de namoro. Que mania besta a sociedade atual tem de comemorar todos os marcos das nossas vidas, não? O que uma data qualquer num mês dentre outras tantas datas bestas quaisqueres poderão influir daqui a 500 anos numa tribo que habita o norte da Nova Zelândia?!?!?!? NADA! ABSOLUTAMENTE NADA! Sendo assim, o que isso poderá influir em você? Pois é. A resposta também deveria ser "nada" com vários figurantes dançando atrás a da gente tal qual um musical da Disney. É, deveria.
Bem, resumindo a ópera, a história é a seguinte: marcamos de viajar na sexta, ele foi a uma festa na quinta-feira que eu não pude ir por motivos biológicos(que aparecem uma vez por mês, felizmente) e ele só voltou pra casa de manhã. Diz ele que bebeu pouco. Eu tenho medo de pegar estrada, já perdi dois amigos nessa mesma estrada. Eu não quis ir. Ele surtou.
Mas ei, quem deveria ter surtado era eu, não era?
Esse manifesto pode constar personagens completamente imaginários, vejam bem. Pode ser que nada do que eu esteja relatando aqui para vocês seja verdade. Ou pode ser que eu sinta saudades de escrever e de ter um consolo.
::::Qualquer coisa, a culpa foi da garrafa de vinho que eu acabei de derrubar, ULRRUUUUULLLLLL::::
sexta-feira, janeiro 13, 2012
sexta-feira, fevereiro 12, 2010
Momento sinceridade
Adoro o Booblog, adoro(algumas)criaturas que comentam, mas só tenho tido tempo pra twitter. Ou seja, àqueles que sentem saudades, je suis ici:
http://twitter.com/choobis
:::e, aos que não sentem, desejo que vocês tenham a quem amar ;) :::
Adoro o Booblog, adoro(algumas)criaturas que comentam, mas só tenho tido tempo pra twitter. Ou seja, àqueles que sentem saudades, je suis ici:
http://twitter.com/choobis
:::e, aos que não sentem, desejo que vocês tenham a quem amar ;) :::
quarta-feira, novembro 18, 2009
Dizem que os três pilares necessários para a existência da paixão são os seguintes: admiração, esperança e um pouco de insegurança.
Dirigir a palavra a alguém que já fora o instrumento do seu afeto num ambiente de trabalho e essa pessoa te olhar nos olhos e virar o rosto como se fingisse que você não existisse, sequer respeitando a presença de uma autoridade à frente de vocês, fez-me agradecer a Deus por me dar um sinal para seguir em frente conforme eu havia pedido. Findaram-se a admiração, a esperança e a insegurança de ter feito a escolha errada.
Educação, pessoas. O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. (Kant)
E no final, eu amei o que eu amaria, não o que foi ou o que é..
Dirigir a palavra a alguém que já fora o instrumento do seu afeto num ambiente de trabalho e essa pessoa te olhar nos olhos e virar o rosto como se fingisse que você não existisse, sequer respeitando a presença de uma autoridade à frente de vocês, fez-me agradecer a Deus por me dar um sinal para seguir em frente conforme eu havia pedido. Findaram-se a admiração, a esperança e a insegurança de ter feito a escolha errada.
Educação, pessoas. O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. (Kant)
E no final, eu amei o que eu amaria, não o que foi ou o que é..
segunda-feira, novembro 16, 2009
“Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Eles pensavam que, porque queriam, era possível. Defeitos, todos os têm, não é mesmo? Diferenças podem acrescentar, não podem? Então, tentaram. No início, tudo era motivo de sorriso. E daí se ele gostava de forró e ela de Pink Floyd? “Pinky do cérebro?” “Haha, não, não, um dia eu te mostro.” “Escuta aqui a letra dessa música, que coisa poética.” “Poesia!? Bob Dylan teve uma crise epiléptica por transmissão de pósitrons agora! No dia que isso for poesia, meu caderno de caligrafia da 1ª série vai bater o Aurélio como exemplo de gramática da língua portuguesa!”
“Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar era fácil.”
E o tempo passou. E o tempo destrói tudo. Bastava querer, não é mesmo? A + B = C.
“Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.”
Tentaram adaptar-se, tudo em vão. Desacertos. Desentendimentos. Sorrisos estáticos enquanto os olhos estavam úmidos. É fácil trocar as palavras, difícil é interpretar os silêncios! - F. Pessoa bem dizia.
E tudo tornou-se cobrança. Uma desatenção era motivo de rancor. O eterno pisar em ovos. Se ela falasse, perderia-o? Mas, por não falar, ela se perderia e, por ela se perder, ela o perderia, também.
“Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.
Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.”
Clarice Lispector - Por não estarem distraídos.
E o fim, já previsto. E a mágoa, já esperada.
E agora?
"eu preciso andar
um caminho só
vou buscar alguém
que eu nem sei quem sou."
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Eles pensavam que, porque queriam, era possível. Defeitos, todos os têm, não é mesmo? Diferenças podem acrescentar, não podem? Então, tentaram. No início, tudo era motivo de sorriso. E daí se ele gostava de forró e ela de Pink Floyd? “Pinky do cérebro?” “Haha, não, não, um dia eu te mostro.” “Escuta aqui a letra dessa música, que coisa poética.” “Poesia!? Bob Dylan teve uma crise epiléptica por transmissão de pósitrons agora! No dia que isso for poesia, meu caderno de caligrafia da 1ª série vai bater o Aurélio como exemplo de gramática da língua portuguesa!”
“Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar era fácil.”
E o tempo passou. E o tempo destrói tudo. Bastava querer, não é mesmo? A + B = C.
“Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.”
Tentaram adaptar-se, tudo em vão. Desacertos. Desentendimentos. Sorrisos estáticos enquanto os olhos estavam úmidos. É fácil trocar as palavras, difícil é interpretar os silêncios! - F. Pessoa bem dizia.
E tudo tornou-se cobrança. Uma desatenção era motivo de rancor. O eterno pisar em ovos. Se ela falasse, perderia-o? Mas, por não falar, ela se perderia e, por ela se perder, ela o perderia, também.
“Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.
Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.”
Clarice Lispector - Por não estarem distraídos.
E o fim, já previsto. E a mágoa, já esperada.
E agora?
"eu preciso andar
um caminho só
vou buscar alguém
que eu nem sei quem sou."
domingo, outubro 25, 2009
Demônios internos
Analisando os arquivos antigos desse blog, senti vergonha do que escrevi em vários momentos. Sabem, eu já tive um gênio bem difícil. Não falo que ele tornou-se fácil (certas coisas levam tempo), mas aprendi muita coisa nessa vida. Uma delas diz respeito às ações em resposta à ignorância de outras pessoas. Já fui de argumentar, discutir, alterar-me, enfim, entrar na briga pra vencer na porrada mesmo. O tempo, contudo, ensinou-me o seguinte: não vale a pena perder a razão. NUNCA. Ao agirmos por impulso, tendemos a nos igualar com aquele que nos feriu e isso gera uma reação em cadeia, porque outras pessoas que não tinham a menor participação na história terminam sendo feridas, também. Eis um texto bem interessantes sobre esse assunto:
Um velho avô disse a seu neto, que veio a ele com raiva de um amigo que lhe havia feito uma injustiça:
- Deixe-me contar-lhe uma história. Eu mesmo, algumas vezes, senti grande ódio daqueles que magoaram tanto e que não demonstraram qualquer arrependimento ao que me fizeram. Todavia, o ódio lhe corrói, mas não fere o seu inimigo. É o mesmo que tomar veneno desejando que seu inimigo morra. Lutei muitas vezes contra estes sentimentos..
E ele continuou: - É como se existissem dois lobos dentro de nós.Um deles é bom e não magoa. Ele vive em harmonia com todos ao redor dele e não se ofende quando não se teve intenção de ofender. Ele só lutará quando for certo fazer isto, e da maneira correta. Mas o outro lobo, ah! Esse é cheio de raiva. Mesmo as pequenas coisas o lançam num ataque de ira. Ele briga com todos o tempo todo e sem qualquer motivo! Ele não consegue raciocinar, porque sua raiva e seu ódio são muito grandes. E é uma raiva inútil, pois ela não irá mudar nada do que aconteceu..Algumas vezes é difícil conviver com estes dois lobos dentro de nós, pois ambos tentam dominar nosso espírito.
O garoto olhou intensamente nos olhos de seu avô e perguntou:
- E qual deles vence, vovô?
O avô sorriu e respondeu baixinho:
- Aquele que eu alimento mais freqüentemente.
"E no final, o amor que você recebe equivale ao amor que você dá."
Analisando os arquivos antigos desse blog, senti vergonha do que escrevi em vários momentos. Sabem, eu já tive um gênio bem difícil. Não falo que ele tornou-se fácil (certas coisas levam tempo), mas aprendi muita coisa nessa vida. Uma delas diz respeito às ações em resposta à ignorância de outras pessoas. Já fui de argumentar, discutir, alterar-me, enfim, entrar na briga pra vencer na porrada mesmo. O tempo, contudo, ensinou-me o seguinte: não vale a pena perder a razão. NUNCA. Ao agirmos por impulso, tendemos a nos igualar com aquele que nos feriu e isso gera uma reação em cadeia, porque outras pessoas que não tinham a menor participação na história terminam sendo feridas, também. Eis um texto bem interessantes sobre esse assunto:
Um velho avô disse a seu neto, que veio a ele com raiva de um amigo que lhe havia feito uma injustiça:
- Deixe-me contar-lhe uma história. Eu mesmo, algumas vezes, senti grande ódio daqueles que magoaram tanto e que não demonstraram qualquer arrependimento ao que me fizeram. Todavia, o ódio lhe corrói, mas não fere o seu inimigo. É o mesmo que tomar veneno desejando que seu inimigo morra. Lutei muitas vezes contra estes sentimentos..
E ele continuou: - É como se existissem dois lobos dentro de nós.Um deles é bom e não magoa. Ele vive em harmonia com todos ao redor dele e não se ofende quando não se teve intenção de ofender. Ele só lutará quando for certo fazer isto, e da maneira correta. Mas o outro lobo, ah! Esse é cheio de raiva. Mesmo as pequenas coisas o lançam num ataque de ira. Ele briga com todos o tempo todo e sem qualquer motivo! Ele não consegue raciocinar, porque sua raiva e seu ódio são muito grandes. E é uma raiva inútil, pois ela não irá mudar nada do que aconteceu..Algumas vezes é difícil conviver com estes dois lobos dentro de nós, pois ambos tentam dominar nosso espírito.
O garoto olhou intensamente nos olhos de seu avô e perguntou:
- E qual deles vence, vovô?
O avô sorriu e respondeu baixinho:
- Aquele que eu alimento mais freqüentemente.
"E no final, o amor que você recebe equivale ao amor que você dá."
segunda-feira, outubro 12, 2009
Plagiando descaradamente uma idéia de Sacoleiro, o Infame
COISAS QUE ME ASSUSTAM NA CALADA DA NOITE PRETA
O twitter do Serguei. http://twitter.com/sergueirock

Quem, eu?!!?!
Sintam só as pérolas:
"Acabei de tomar um banho de mar com minha sunga de crochê branca e percebi que minha sensualidade continua atraindo olhares."
"Existe sex shop que vende árvore inflável? As noites tão frias demais para que eu possa fazer um carinho no meu cajueiro."
"Uma joaninha acabou de pousar no meu braço, me deixando todo arrepiado. Tô sensível hj. A noite será rock and roll!!!"
"Sonhei ontem com meu gato Grilo. Ele não estava mais grilado e só miava I LOVE YOU pra mim. Volta Grilo, PLEASE!"
"Ontem fiquei DOWN. Fui aplaudir o sol e acabei matando um besouro que resolveu voar entre as minhas mãos. RIP beetle!"
"Hj é o dia sem carro? Amo bicicletas. Pedalando, exercito o físico. E a sexualidade tb, dependendo do tipo de banco."
O twitter do Serguei. http://twitter.com/sergueirock

Quem, eu?!!?!
Sintam só as pérolas:
"Acabei de tomar um banho de mar com minha sunga de crochê branca e percebi que minha sensualidade continua atraindo olhares."
"Existe sex shop que vende árvore inflável? As noites tão frias demais para que eu possa fazer um carinho no meu cajueiro."
"Uma joaninha acabou de pousar no meu braço, me deixando todo arrepiado. Tô sensível hj. A noite será rock and roll!!!"
"Sonhei ontem com meu gato Grilo. Ele não estava mais grilado e só miava I LOVE YOU pra mim. Volta Grilo, PLEASE!"
"Ontem fiquei DOWN. Fui aplaudir o sol e acabei matando um besouro que resolveu voar entre as minhas mãos. RIP beetle!"
"Hj é o dia sem carro? Amo bicicletas. Pedalando, exercito o físico. E a sexualidade tb, dependendo do tipo de banco."
sexta-feira, setembro 25, 2009
No consultório médico
- Que linda a cor do seu cabelo, são mechas californianas?
- Mecha de quem?
- Californiana, aquela que é só nas pontas.
- Não, não, isso é falta de tempo e de dinheiro pra consertar o cabelo em salão especializado.
A moda anda tão democrática que até quem não faz esforço pra estar nela está sendo copiado, cambada.
Enquanto isso, poeminha vagabundo escrito num muro de Fortaleza:
"Tanta coisa pra te dizer, tanta coisa pra te falar/ E, apesar de todo esse tempo/ é tão difícil disfarçar que eu nunca deixei de te amar."
Huar.
(Pensamentos de bobinhos apaixonados da 4ªsérie ainda me comovem.)
- Que linda a cor do seu cabelo, são mechas californianas?
- Mecha de quem?
- Californiana, aquela que é só nas pontas.
- Não, não, isso é falta de tempo e de dinheiro pra consertar o cabelo em salão especializado.
A moda anda tão democrática que até quem não faz esforço pra estar nela está sendo copiado, cambada.
Enquanto isso, poeminha vagabundo escrito num muro de Fortaleza:
"Tanta coisa pra te dizer, tanta coisa pra te falar/ E, apesar de todo esse tempo/ é tão difícil disfarçar que eu nunca deixei de te amar."
Huar.
(Pensamentos de bobinhos apaixonados da 4ªsérie ainda me comovem.)
domingo, setembro 13, 2009
Nunca eu tivera querido
Dizer palavra tão louca
Bateu-me um vento na boca
E depois no teu ouvido
Levou somente a palavra
Deixou ficar o sentido
O sentido está guardado
No rosto com que te miro
Nesse perdido suspiro
Que te segue alucinado
No meu sorriso suspenso
Como um beijo malogrado
Nunca ninguém viu ninguém
Que o amor pusesse tão triste
Esta tristeza não viste
E eu sei que ela se vê bem
Só se aquele mesmo vento
Fechou teus olhos também
Cecília Meireles
"Arrependemo-nos raramente de falar pouco, e muito frequentemente de falar demais: máxima usada e trivial, que todo o mundo sabe e que ninguém pratica." Jean de La Bruyère
Creio que o problema não seja necessariamente "falar". O problema, na maioria das vezes, é "como se fala".(ou, em outros casos, "como se compreende".)
Dizer palavra tão louca
Bateu-me um vento na boca
E depois no teu ouvido
Levou somente a palavra
Deixou ficar o sentido
O sentido está guardado
No rosto com que te miro
Nesse perdido suspiro
Que te segue alucinado
No meu sorriso suspenso
Como um beijo malogrado
Nunca ninguém viu ninguém
Que o amor pusesse tão triste
Esta tristeza não viste
E eu sei que ela se vê bem
Só se aquele mesmo vento
Fechou teus olhos também
Cecília Meireles
"Arrependemo-nos raramente de falar pouco, e muito frequentemente de falar demais: máxima usada e trivial, que todo o mundo sabe e que ninguém pratica." Jean de La Bruyère
Creio que o problema não seja necessariamente "falar". O problema, na maioria das vezes, é "como se fala".(ou, em outros casos, "como se compreende".)
sábado, agosto 01, 2009
Maru
Não é de hoje que vocês já devem ter percebido meu interesse por felinos.
Até os dezessete anos, quando ganhei minha primeira gatinha, eu não compreendia como alguém poderia gostar de entidades peludas e causadoras de espirros que dormem, comem e nos miram com olhar de desprezo o dia todo.
Foi então que eu aprendi que certas belezas só são compreendidas por quem as vivencia. No caso, todos os gatinhos que me presentearam com sua companhia se tornaram amigos fiéis e extremamente carinhosos. Descobri que, diferentemente dos cães, os gatos só demonstram sua real personalidade àqueles que eles escolhem como donos e, uma vez que um gatinho é cativado, você se torna eternamente responsável por ele.
(mas todas as amizades - sejam elas entre quais espécies forem - não deveriam ser assim?)
Nada contra os cachorros, aliás, quem conheceu minha finada cadela Milla também sabe o quanto eu a amava. Eu diria que não há uma relação de melhor/pior entre essas duas espécies; elas são, simplesmente, diferentes. Por exemplo, eu sou alucinada por café e por chocolate. Se alguém me dissesse que eu teria de escolher entre um dos dois, quando esse alguém se distraísse eu meteria o chocolate no bolso e sairia correndo com a xícara de café. (simples, muito simples)
Mas então.
Gostaria de apresentá-los o gatinho japonês Maru.
Como vocês podem perceber, ele tem uma certa queda por caixas grandes de papelão.
E por caixinhas de papelão com propaganda de iorgute dietético também.
O dono do Maru se diverte tanto com tais registros que até site em japonês/inglês ele fez:
http://sisinmaru.blog17.fc2.com/
:::Oraessa, se eu tivesse tempo livre, filmaria as traquinagens da Sylvie e do Chá-Chá também!:::
Não é de hoje que vocês já devem ter percebido meu interesse por felinos.
Até os dezessete anos, quando ganhei minha primeira gatinha, eu não compreendia como alguém poderia gostar de entidades peludas e causadoras de espirros que dormem, comem e nos miram com olhar de desprezo o dia todo.
Foi então que eu aprendi que certas belezas só são compreendidas por quem as vivencia. No caso, todos os gatinhos que me presentearam com sua companhia se tornaram amigos fiéis e extremamente carinhosos. Descobri que, diferentemente dos cães, os gatos só demonstram sua real personalidade àqueles que eles escolhem como donos e, uma vez que um gatinho é cativado, você se torna eternamente responsável por ele.
(mas todas as amizades - sejam elas entre quais espécies forem - não deveriam ser assim?)
Nada contra os cachorros, aliás, quem conheceu minha finada cadela Milla também sabe o quanto eu a amava. Eu diria que não há uma relação de melhor/pior entre essas duas espécies; elas são, simplesmente, diferentes. Por exemplo, eu sou alucinada por café e por chocolate. Se alguém me dissesse que eu teria de escolher entre um dos dois, quando esse alguém se distraísse eu meteria o chocolate no bolso e sairia correndo com a xícara de café. (simples, muito simples)
Mas então.
Gostaria de apresentá-los o gatinho japonês Maru.
Como vocês podem perceber, ele tem uma certa queda por caixas grandes de papelão.
E por caixinhas de papelão com propaganda de iorgute dietético também.
O dono do Maru se diverte tanto com tais registros que até site em japonês/inglês ele fez:
http://sisinmaru.blog17.fc2.com/
:::Oraessa, se eu tivesse tempo livre, filmaria as traquinagens da Sylvie e do Chá-Chá também!:::
sexta-feira, julho 24, 2009
Filosofemos
Presenteando-me com um intervalo enquanto escrevo um capítulo para um livro de Ginecologia (a propósito, se alguém puder me fornecer algum artigo científico sobre 'sangramento anormal no climátério' do ano de 2005 pra cá eu ficaria deveras feliz&contente), flaguei-me pensando no ato de estupidez que eu cometi hoje ao apagar um SPAM nos comentários e terminei apagando tambem as palavras de afeto&carinho do meu querido leitor Ubiratan, vulgo Bira, que estavam logo abaixo.
A propósito e NADAVER com o texto,'Ubiratan'é o nome de um professor de química da época do cursinho que, certa vez, presenteou-me com balas de gengibre que eu detestei mas que guardei a caixa com carinho porque ele disse que o desenho da embalagem o lembrou de um desenho que eu fizera dele há algum tempo. (e antes que vocês me perguntem, o desenho era meiguinho.)
Infelizmente, não pude salvar os comentários desse leitor, mas me diverte o fato que, depois de tanto tempo, ele vem aos comentários fazendo referência ao tempo em que eu prestava vestibular (e eu já passei da metade do tempo de faculdade) e citando um namoro que acabou há mais de três anos ( que hoje é uma bela amizade, felizmente) enquanto eu já tive outras experiências depois desse relacionamento (aliás, estou no meio de uma delas, a diferença é que eu não a exponho aqui) como se tais fatos me afetassem. É semelhante a algum coleguinha que ficou chateado com você nos tempos de jardim da infância aparecer hoje na sua vida adulta dizendo que você é "bobo" e que nunca conseguiu lhe perdoar porque, um dia, vocês trocaram uns pontapés porque vocês dois queriam o mesmo pedaço do bolo de aniversário de outro coleguinha seu.
Bira, preciso lhe informar,a vida não é um retrato: ninguém é inerte, ninguém é imutável. Eu amadureci nesses três anos, e lhe sugiro que faça o mesmo. Tanta coisa bonita e terrível aconteceu na minha vida depois dos fatos que você relembrou que hoje tais recordações me dão o conhecido 'sorriso da saudade', uma vez que eu já tirei delas o que elas tinham a me oferecer (e a gente tem de carregar consigo o que é bom, o resto é resto). Sugiro que você analise sua raiva e o seu rancor e se pergunte o porquê da necessidade de você transferi-los para mim. Desejar mal a alguém gratuitamente é a mesma coisa de tomar veneno todos os dias e esperar que outra pessoa morra envenenada, caro leitor abusadinho.
No mais, como diriam os Beatles, a vida é muito curta e não há tempo para implicâncias e brigas, meu amigo.
Presenteando-me com um intervalo enquanto escrevo um capítulo para um livro de Ginecologia (a propósito, se alguém puder me fornecer algum artigo científico sobre 'sangramento anormal no climátério' do ano de 2005 pra cá eu ficaria deveras feliz&contente), flaguei-me pensando no ato de estupidez que eu cometi hoje ao apagar um SPAM nos comentários e terminei apagando tambem as palavras de afeto&carinho do meu querido leitor Ubiratan, vulgo Bira, que estavam logo abaixo.
A propósito e NADAVER com o texto,'Ubiratan'é o nome de um professor de química da época do cursinho que, certa vez, presenteou-me com balas de gengibre que eu detestei mas que guardei a caixa com carinho porque ele disse que o desenho da embalagem o lembrou de um desenho que eu fizera dele há algum tempo. (e antes que vocês me perguntem, o desenho era meiguinho.)
Infelizmente, não pude salvar os comentários desse leitor, mas me diverte o fato que, depois de tanto tempo, ele vem aos comentários fazendo referência ao tempo em que eu prestava vestibular (e eu já passei da metade do tempo de faculdade) e citando um namoro que acabou há mais de três anos ( que hoje é uma bela amizade, felizmente) enquanto eu já tive outras experiências depois desse relacionamento (aliás, estou no meio de uma delas, a diferença é que eu não a exponho aqui) como se tais fatos me afetassem. É semelhante a algum coleguinha que ficou chateado com você nos tempos de jardim da infância aparecer hoje na sua vida adulta dizendo que você é "bobo" e que nunca conseguiu lhe perdoar porque, um dia, vocês trocaram uns pontapés porque vocês dois queriam o mesmo pedaço do bolo de aniversário de outro coleguinha seu.
Bira, preciso lhe informar,a vida não é um retrato: ninguém é inerte, ninguém é imutável. Eu amadureci nesses três anos, e lhe sugiro que faça o mesmo. Tanta coisa bonita e terrível aconteceu na minha vida depois dos fatos que você relembrou que hoje tais recordações me dão o conhecido 'sorriso da saudade', uma vez que eu já tirei delas o que elas tinham a me oferecer (e a gente tem de carregar consigo o que é bom, o resto é resto). Sugiro que você analise sua raiva e o seu rancor e se pergunte o porquê da necessidade de você transferi-los para mim. Desejar mal a alguém gratuitamente é a mesma coisa de tomar veneno todos os dias e esperar que outra pessoa morra envenenada, caro leitor abusadinho.
No mais, como diriam os Beatles, a vida é muito curta e não há tempo para implicâncias e brigas, meu amigo.
Vida bandida
Trabalhar em ambulatório de Fortal(nada contra os baianos, tudo contra a axé music e suas assonâncias e aliterações nauseantes)é experiência pra poucos.
Ontem, em meio a Plasils injetáveis e glicoses 50%, apareceu no ambulatório uma menina bonitinha, aparentemente de boa casta social, acompanhada de uma amiga e de um amigo.
- Pessoal, só pode entrar um acompanhante por vez.
- E você é quem?
- Estagiária de plantão, prazer. (indicando o crachá). Sua amiga só fez uso de álcool?
- Eu bebi tudo! Tudo! O que você botar aí eu bebi!
- E cheirou também?
- (Virando-se para a amiga ao lado)Essa loira tá perguntando se eu tô fedendo?
- Não, eu estou perguntando se você cheirou cocaína ou lança-perfume.
- AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAA.. Não digo pra você.
(fiz uma aceno pro segurança)
- Não não calma, foi cachaça, muita kátia, sabes?
- Espera um pouco que eu vou indicar glicose pra você. Vomitou? Ô Chico, olha aqui a pressão dela pra mim?
- Ah, então você não sabe olhar pressão? Eu bem que achei que pela sua cara você não era médica!
- (auxiliar chegando ao meu socorro) Dra, elas normalmente são assim quando é mulher que atende..
- É, tô vendo que essa daí promete. Pressão 120 por 80? Tá ÓTIMA! Manda ela comer um chocolate e libera!
- (amiga que se aproxima com olhar de sofrimento) Dra, é que ela gastou todo o dinheiro no bloco.. Não tinha como a Sra. ajudar aqui?
- Certo, certo. Chico, me arruma uma seringa com agulha 23 e duas ampolas de glicose 50%?
E foi aí que aconteceu. A ébria maldita mordeu minha mão quando eu coloquei o acesso, quase me furando com o diacho da agulha também.
- Ah, aí é esculhambação. (aceno pra outro estagiário) Ei, você poderia assumir essa daqui pra mim?
Uns 10 minutos depois de deixar a bêbada maluca com meu amigo, volto ao local do crime para conferir se ele tinha obtido mais êxito do que eu. Quando me aproximo, deparo-me com a cena ridícula dela colocando os pés por cima dele e puxando o braço dele para o meio de suas pernas.
- Rapaz, olha a postura..
- Essa mulher tá maluca! Se eu não tentar segurá-la, ela sai chutando tudo, e quando eu seguro, ela tenta me agarrar!
- Vem cá branquinho, só um beijinho, vem..
- E eu, que levei uma mordida dela?
- EU TAMBÉM LEVEI! - e me mostrou uma marca arredondada no pescoço.
- Olha, assim não dá. Segurança, leva essa entidade pro mais longe possível daqui. Se é sexo que ela quer, não vai ser aqui que ela vai achar.
- (meu amigo olha pros dois lado e sussurra) Assim.. Se me liberarem um tempinho..
Eu lanço O olhar. Ele chama o segurança de novo. Minutos depois, o mesmo segurança aparece carregando a menina(que continuava me xingando e continuava abrindo as pernas freneticamente pra todo homem que cruzasse seu caminho) nos braços.
- Eu fiz o que a Sra. mandou.. Mas ela arrumou briga, rasgou a roupa.. mandaram trazer de novo pra cá..
- Deusdocéu, tem algum amigo dessa criatura que possa levá-la pra casa?
- Dra., é que ela acabou o namoro e ficou triste..
- E tá acabando com minha paciência também!(espressão de malinidade)Segurança, leva ela pro outro ambulatório, por favor? Diz que aqui tá lotado.
Quando ela finalmente foi embora, um outro auxiliar de enfermagem que estava observando a presepada toda me puxou para um canto e disse:
- Já tá aprendendo como se lida com esse tipo de paciente, né?
- E olha que hoje é só o primeiro dia de plantão..
- É.. Ela estava tendo um AVC..
- AVC? Tem certeza? AVC pode dar quadro de delírio, mas eu não vi nenhum sinal que indicasse..
- Não não, não é esse AVC. É outro tipo: Ânsia da Vagina Carente.
::::Eu me meto em cada uma.::::
Trabalhar em ambulatório de Fortal(nada contra os baianos, tudo contra a axé music e suas assonâncias e aliterações nauseantes)é experiência pra poucos.
Ontem, em meio a Plasils injetáveis e glicoses 50%, apareceu no ambulatório uma menina bonitinha, aparentemente de boa casta social, acompanhada de uma amiga e de um amigo.
- Pessoal, só pode entrar um acompanhante por vez.
- E você é quem?
- Estagiária de plantão, prazer. (indicando o crachá). Sua amiga só fez uso de álcool?
- Eu bebi tudo! Tudo! O que você botar aí eu bebi!
- E cheirou também?
- (Virando-se para a amiga ao lado)Essa loira tá perguntando se eu tô fedendo?
- Não, eu estou perguntando se você cheirou cocaína ou lança-perfume.
- AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAA.. Não digo pra você.
(fiz uma aceno pro segurança)
- Não não calma, foi cachaça, muita kátia, sabes?
- Espera um pouco que eu vou indicar glicose pra você. Vomitou? Ô Chico, olha aqui a pressão dela pra mim?
- Ah, então você não sabe olhar pressão? Eu bem que achei que pela sua cara você não era médica!
- (auxiliar chegando ao meu socorro) Dra, elas normalmente são assim quando é mulher que atende..
- É, tô vendo que essa daí promete. Pressão 120 por 80? Tá ÓTIMA! Manda ela comer um chocolate e libera!
- (amiga que se aproxima com olhar de sofrimento) Dra, é que ela gastou todo o dinheiro no bloco.. Não tinha como a Sra. ajudar aqui?
- Certo, certo. Chico, me arruma uma seringa com agulha 23 e duas ampolas de glicose 50%?
E foi aí que aconteceu. A ébria maldita mordeu minha mão quando eu coloquei o acesso, quase me furando com o diacho da agulha também.
- Ah, aí é esculhambação. (aceno pra outro estagiário) Ei, você poderia assumir essa daqui pra mim?
Uns 10 minutos depois de deixar a bêbada maluca com meu amigo, volto ao local do crime para conferir se ele tinha obtido mais êxito do que eu. Quando me aproximo, deparo-me com a cena ridícula dela colocando os pés por cima dele e puxando o braço dele para o meio de suas pernas.
- Rapaz, olha a postura..
- Essa mulher tá maluca! Se eu não tentar segurá-la, ela sai chutando tudo, e quando eu seguro, ela tenta me agarrar!
- Vem cá branquinho, só um beijinho, vem..
- E eu, que levei uma mordida dela?
- EU TAMBÉM LEVEI! - e me mostrou uma marca arredondada no pescoço.
- Olha, assim não dá. Segurança, leva essa entidade pro mais longe possível daqui. Se é sexo que ela quer, não vai ser aqui que ela vai achar.
- (meu amigo olha pros dois lado e sussurra) Assim.. Se me liberarem um tempinho..
Eu lanço O olhar. Ele chama o segurança de novo. Minutos depois, o mesmo segurança aparece carregando a menina(que continuava me xingando e continuava abrindo as pernas freneticamente pra todo homem que cruzasse seu caminho) nos braços.
- Eu fiz o que a Sra. mandou.. Mas ela arrumou briga, rasgou a roupa.. mandaram trazer de novo pra cá..
- Deusdocéu, tem algum amigo dessa criatura que possa levá-la pra casa?
- Dra., é que ela acabou o namoro e ficou triste..
- E tá acabando com minha paciência também!(espressão de malinidade)Segurança, leva ela pro outro ambulatório, por favor? Diz que aqui tá lotado.
Quando ela finalmente foi embora, um outro auxiliar de enfermagem que estava observando a presepada toda me puxou para um canto e disse:
- Já tá aprendendo como se lida com esse tipo de paciente, né?
- E olha que hoje é só o primeiro dia de plantão..
- É.. Ela estava tendo um AVC..
- AVC? Tem certeza? AVC pode dar quadro de delírio, mas eu não vi nenhum sinal que indicasse..
- Não não, não é esse AVC. É outro tipo: Ânsia da Vagina Carente.
::::Eu me meto em cada uma.::::
sábado, julho 18, 2009
Prenez soin de vous
Mes chéries amies,
aos leitores que moram em Sampa, por favor visitem por mim a exposição da artista plástica Sophie Calle,"Prenez soin de vous"(tradução : cuide-se.), em que a artista, no maior estilo "fazer do limão uma limonada", planejou toda uma exposição a partir de um e-mail que um ex-namorado mandara para ela e cuja última frase era "cuide-se".
Para os interessados no conteúdo da carta, ei-la em francês.
Arrasada com a forma fria como o ex-namorado terminara com ela, Sophie repassou o e-mail para mais de 100 pessoas, entre elas criminalistas, amigas, atrizes, dramaturgos, palhaços, psiquiatras, filósofas, uma criança de 9 anos de idade, uma professora de gramática..
Enfim, qualquer pessoa que pudesse lhe explicar verbalmente o que só se possui percepção emocionalmente. Parabéns àqueles que conseguem definir em palavras o real o sentido da palavra 'sofrimento', n'est pas?
Nessa amostra, há vídeos dos leitores das cartas comentando seu contéudo, além de fotos ilustrando a reação das pessoas ao lê-la.
Isso me lembrou de um texto bem interessante que eu li no Victor, que dizia o seguinte:
A capacidade de esquecer é o que existe de mais precioso sobre a face da terra, sob as nossas faces. Amar é indubitavelmente mais magnânimo, mas não é tão essencial quanto o esquecimento: é ele que nos mantém vivos. O amor torna a paisagem mais bonita, mas é o bálsamo curativo do esquecimento que nos faz ter vontade de abrir os olhos para vê-la. A paixão empresta um sentido quase mítico aos dias, mas é esquecer da excruciante tristeza perante a morte dela que nos torna aptos para nos encantarmos novamente dali a pouco.
Já esqueci amores inesquecíveis e sobrevivi a paixões que, tinha convicção, me aniquilariam se terminassem. Às vezes cruzo na rua com fantasmas que já foram muito vivos na minha história e não deixo de sentir uma certa melancolia por perceber que aquele rosto um dia pleno de significado se tornou tão relevante quanto um outdoor de pasta de dente. Algumas pessoas são apagadas da memória como filmes desimportantes. Sem maldade o intenção; apenas esmaecem até desaparecer. Mas é mesmo impossível nos lembrar de todos os que passaram por nós: gente demais, espaço de menos. Da mesma forma que minha história está repleta de coadjuvantes e figurantes que, irrefletidamente, se auto-proclamavam protagonistas, eu devo ser a personagem cômica da história de alguém. Ninguém se esquiva da experiência constrangedora de bancar o bobo da corte no reino de outro.
Mas esse oco de significado não vem sem um certo pesar. É ruim notar que já não dizemos praticamente nada para quem importou tanto. Na verdade é dolorido ser olvidado: não é fácil encarar que não somos insubstituíveis e que nossa saída displicente abre uma possibilidade de entrada tão desejada por outros. Mas só nos desenroscamos e seguimos nosso rumo natural, em frente, quando eliminamos alguns seres que, caso contrário, nos prenderiam aos emaranhantes aguapés de recordações.
"Há pessoas que ficam doendo com a lembrança de outra pessoa, entra ano, sai ano, virando e revirando o caleidoscópio, olhando como caem e de dispõe as cores e os cristais do sofrimento" (Paulo Mendes Campos).
O passado deve ser mantido no lugar dele e não trazido nas costas feito mochila de viajante, lotado com os erros cometidos e alegrias jamais revividas. Para ser feliz é necessário pouca coisa além se livrar do excesso de carga e esquecer as coisas certas. É útil também jamais perder de vista um detalhe, afixá-lo no espelho do banheiro, repetir como um mantra: absolutamente nada é pra sempre, nem sentimentos que parecem ser. Nunca mais haverá amor como aquele? Ótimo, porque o novo é tão imenso que seria um desperdício se algo se repetisse.
Todo mundo passa. E é bom que seja assim.
Bem, nós temos de aprender a rir, caso contrário, vamos nos matar de chorar.

::::Cuidem-se.::::
Mes chéries amies,
aos leitores que moram em Sampa, por favor visitem por mim a exposição da artista plástica Sophie Calle,"Prenez soin de vous"(tradução : cuide-se.), em que a artista, no maior estilo "fazer do limão uma limonada", planejou toda uma exposição a partir de um e-mail que um ex-namorado mandara para ela e cuja última frase era "cuide-se".
Para os interessados no conteúdo da carta, ei-la em francês.
Arrasada com a forma fria como o ex-namorado terminara com ela, Sophie repassou o e-mail para mais de 100 pessoas, entre elas criminalistas, amigas, atrizes, dramaturgos, palhaços, psiquiatras, filósofas, uma criança de 9 anos de idade, uma professora de gramática..
Enfim, qualquer pessoa que pudesse lhe explicar verbalmente o que só se possui percepção emocionalmente. Parabéns àqueles que conseguem definir em palavras o real o sentido da palavra 'sofrimento', n'est pas?
Nessa amostra, há vídeos dos leitores das cartas comentando seu contéudo, além de fotos ilustrando a reação das pessoas ao lê-la.
Isso me lembrou de um texto bem interessante que eu li no Victor, que dizia o seguinte:
A capacidade de esquecer é o que existe de mais precioso sobre a face da terra, sob as nossas faces. Amar é indubitavelmente mais magnânimo, mas não é tão essencial quanto o esquecimento: é ele que nos mantém vivos. O amor torna a paisagem mais bonita, mas é o bálsamo curativo do esquecimento que nos faz ter vontade de abrir os olhos para vê-la. A paixão empresta um sentido quase mítico aos dias, mas é esquecer da excruciante tristeza perante a morte dela que nos torna aptos para nos encantarmos novamente dali a pouco.
Já esqueci amores inesquecíveis e sobrevivi a paixões que, tinha convicção, me aniquilariam se terminassem. Às vezes cruzo na rua com fantasmas que já foram muito vivos na minha história e não deixo de sentir uma certa melancolia por perceber que aquele rosto um dia pleno de significado se tornou tão relevante quanto um outdoor de pasta de dente. Algumas pessoas são apagadas da memória como filmes desimportantes. Sem maldade o intenção; apenas esmaecem até desaparecer. Mas é mesmo impossível nos lembrar de todos os que passaram por nós: gente demais, espaço de menos. Da mesma forma que minha história está repleta de coadjuvantes e figurantes que, irrefletidamente, se auto-proclamavam protagonistas, eu devo ser a personagem cômica da história de alguém. Ninguém se esquiva da experiência constrangedora de bancar o bobo da corte no reino de outro.
Mas esse oco de significado não vem sem um certo pesar. É ruim notar que já não dizemos praticamente nada para quem importou tanto. Na verdade é dolorido ser olvidado: não é fácil encarar que não somos insubstituíveis e que nossa saída displicente abre uma possibilidade de entrada tão desejada por outros. Mas só nos desenroscamos e seguimos nosso rumo natural, em frente, quando eliminamos alguns seres que, caso contrário, nos prenderiam aos emaranhantes aguapés de recordações.
"Há pessoas que ficam doendo com a lembrança de outra pessoa, entra ano, sai ano, virando e revirando o caleidoscópio, olhando como caem e de dispõe as cores e os cristais do sofrimento" (Paulo Mendes Campos).
O passado deve ser mantido no lugar dele e não trazido nas costas feito mochila de viajante, lotado com os erros cometidos e alegrias jamais revividas. Para ser feliz é necessário pouca coisa além se livrar do excesso de carga e esquecer as coisas certas. É útil também jamais perder de vista um detalhe, afixá-lo no espelho do banheiro, repetir como um mantra: absolutamente nada é pra sempre, nem sentimentos que parecem ser. Nunca mais haverá amor como aquele? Ótimo, porque o novo é tão imenso que seria um desperdício se algo se repetisse.
Todo mundo passa. E é bom que seja assim.
Bem, nós temos de aprender a rir, caso contrário, vamos nos matar de chorar.

::::Cuidem-se.::::
terça-feira, julho 14, 2009
Comentário atrasado
...mas essa morte do negão Jackson me lembrou de uma maldade que eu aprontei com um maluco da minha turma na época de cursinho.
Esse rapaz era comunista-revolucionário-alienado radical, desses que andam de boina e camisa féxion do Che Guevara comprada na C&A. Ele sempre sentava numa carteira no cantinho da sala, e nessa carteira ela escrevia as maiores utopias possíveis no estilo "a juventude dá as cartas mas os geriatras as escolhem" ou "prefiro morrer por um ideal do que fenecer perante ambições irreais" e, entre tais pérolas, ele escreveu nomes como "Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes, o mártir", "Che Guevara, o valente", "Luis Inácio Lula, futuro presidente do Brasil" (MALDITO PROFETA!)e por aí vai.
Rachel de Queiroz dizia o seguinte sobre o comunismo:
Se até os 20 anos de idade você não se comoveu com o ideal comunista, você é uma criatura sem coração; se após os 20 anos você continua insistindo no comunismo, você é uma criatura sem cérebro, ou seja, você é um ABESTADO.
Bem, naquele tempo, esse rapaz tinha 21 anos.
Certo dia, o tal abestado faltou a aula e eu tive o azar de só me sobrar a carteira dele para sentar. Observando o mural marxista que nosso amigo desenhou sobre a mesa da carteira, tive a brilhante idéia de adicionar nomes como "Michael Jackson, aquele que foi black e agora é white", "Inri Christo, porque se ele é Deus, ele é", "Roberta Close, todo tempo é tempo de mudanças de sexo", "Jr da Sandy, guerrilheiro da negação", "Sarney, ABL minhas nádegas" e outras contribuições as quais não me recordo no momento.
No dia seguinte, ao chegar na sala e constatar tais adições ao seu mural, o menino-rebelde pirou, ocorrendo até tapa entre ele e um playboy capitalista que vivia criticando publicamente a ideologia da minha vítima, ops, do meu colega de sala.
A boa notícia?
Ninguém desconfiou de mim.
Onde já se viu mulher bonitinha, fofinha puti puti nhonhonhon armar esse tipo de coisa, rapaz?
WHO'S BAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAD!!!
...mas essa morte do negão Jackson me lembrou de uma maldade que eu aprontei com um maluco da minha turma na época de cursinho.
Esse rapaz era comunista-revolucionário-alienado radical, desses que andam de boina e camisa féxion do Che Guevara comprada na C&A. Ele sempre sentava numa carteira no cantinho da sala, e nessa carteira ela escrevia as maiores utopias possíveis no estilo "a juventude dá as cartas mas os geriatras as escolhem" ou "prefiro morrer por um ideal do que fenecer perante ambições irreais" e, entre tais pérolas, ele escreveu nomes como "Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes, o mártir", "Che Guevara, o valente", "Luis Inácio Lula, futuro presidente do Brasil" (MALDITO PROFETA!)e por aí vai.
Rachel de Queiroz dizia o seguinte sobre o comunismo:
Se até os 20 anos de idade você não se comoveu com o ideal comunista, você é uma criatura sem coração; se após os 20 anos você continua insistindo no comunismo, você é uma criatura sem cérebro, ou seja, você é um ABESTADO.
Bem, naquele tempo, esse rapaz tinha 21 anos.
Certo dia, o tal abestado faltou a aula e eu tive o azar de só me sobrar a carteira dele para sentar. Observando o mural marxista que nosso amigo desenhou sobre a mesa da carteira, tive a brilhante idéia de adicionar nomes como "Michael Jackson, aquele que foi black e agora é white", "Inri Christo, porque se ele é Deus, ele é", "Roberta Close, todo tempo é tempo de mudanças de sexo", "Jr da Sandy, guerrilheiro da negação", "Sarney, ABL minhas nádegas" e outras contribuições as quais não me recordo no momento.
No dia seguinte, ao chegar na sala e constatar tais adições ao seu mural, o menino-rebelde pirou, ocorrendo até tapa entre ele e um playboy capitalista que vivia criticando publicamente a ideologia da minha vítima, ops, do meu colega de sala.
A boa notícia?
Ninguém desconfiou de mim.
Onde já se viu mulher bonitinha, fofinha puti puti nhonhonhon armar esse tipo de coisa, rapaz?
WHO'S BAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAD!!!
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