Solitude
Clarice Lispector dizia que saudade é uma fome que só se sacia quando se está na presença do ente saudoso. E quando essa pessoa já não existe mais?
Aprendi, a duras penas, que nada é imutável. Amigos, namorados, pais, lugares - e eu, até eu! - mudamos o tempo todo. Como se adaptar a essas mudanças?
Como aceitá-las?
Como evoluir com elas?
Sim, porque a grande miséria da vida é o "pra sempre".Viver na ilusão de que a realidade pode permanecer em stand by forévah é uma das maiores burrices que alguém pode cometer.
(e é a burrice que todo mundo - e eu, e eu também! - cometemos o tempo todo.)
Por que estou lhes dizendo tudo isso? Nem eu sei direito. Meu irmão(que já vai casar no começo do próximo ano, que me deu um laptop assim, do nada - talvez porque o amor de família seja, enfim, imutável!- ou, talvez, porque a saudade faz a gente dar presentes de surpresa para garantir nossa existência no dia-a-dia do ente presenteado mesmo quando estamos distantes fisicamente)vai embora pra SP amanhã e eu me peguei pensando em como eu era feliz nas eternas tardes que passava ao lado dele fazendo nada e fazendo tudo ao mesmo tempo, anos atrás, quando eu nem tinha idéia da dor eterna que é sentir saudades do que já não existe mais.
Alguém que me fez sofrer imensuravelmente,certa vez, disse que a felicidade é questão de competência. Ela não vai acontecer quando passarmos naquele concurso público impossível, nem quando namorarmos aquela pessoa inatingível, tampouco quando formos a pessoa mais rica do mundo..
Ela pode acontecer a qualquer momento, mesmo com o mau-humor cotidiano, não importando as tristezas bestas que pessoas bestas nos causam. (às vezes, nós mesmos somos essas "pessoas bestas", analisando bem..)
Bem, observando minhas posses do momento, tenho um laptop, um irmão maravilhoso, duas gatinhas indóceis e uma cólica dos infernos.
Creio que dá pra ser feliz com isso..
sexta-feira, setembro 28, 2007
sexta-feira, setembro 14, 2007
Íris Stefanelli diz estar carente e querendo namorar com empresário com quem ficou apenas uma vez
Uma notícia que só merece atenção pelo conteúdo lúdico e despretensioso. Alguém aí se habilita a namorar com a Siri?
PS: Na minha opinião estilo "exocet", essa mina parece um profissional do baixo meretrício. É isso mearmo, TRA VE CO. E tenho dito.
PS2: Já aviso de antemão que este é um post coturnesco, nada de me confundirem com a Boo - meu cabelo não é tão ruivo e eu sou alto, seus...
PS3: Significa "Playstation 3" (affe, eu não podia perder essa oportunidade de piada nonsense)
Uma notícia que só merece atenção pelo conteúdo lúdico e despretensioso. Alguém aí se habilita a namorar com a Siri?
PS: Na minha opinião estilo "exocet", essa mina parece um profissional do baixo meretrício. É isso mearmo, TRA VE CO. E tenho dito.
PS2: Já aviso de antemão que este é um post coturnesco, nada de me confundirem com a Boo - meu cabelo não é tão ruivo e eu sou alto, seus...
PS3: Significa "Playstation 3" (affe, eu não podia perder essa oportunidade de piada nonsense)
segunda-feira, setembro 10, 2007
Chovendo no molhado
Lembram quando eu disse que já não tinha mais graça tirar onda com ela?
Eu..
Eu..
MMMMMMENTI.
Buchinho saliente de maracujá: checa
Peruca tosca: checa
Expressão de quem acabou de cair de fuça na chón: checa
Assombro e espanto estampados da platéia: checa
Então.
"Princesinha do pop" são minhas nádegas, isso sim.

Ande, tonha!
Lembram quando eu disse que já não tinha mais graça tirar onda com ela?
Eu..
Eu..
MMMMMMENTI.
Buchinho saliente de maracujá: checa
Peruca tosca: checa
Expressão de quem acabou de cair de fuça na chón: checa
Assombro e espanto estampados da platéia: checa
Então.
"Princesinha do pop" são minhas nádegas, isso sim.
Ande, tonha!
segunda-feira, setembro 03, 2007
e OLHAM só

Olha eu ali no cantinho! Eu sou um país litorâneo! \o_
(pena que não me situaram no continente da putaria, lá me parece ser deverasmente mais divertido rs)
e a briguinha de egos nos comentários está IMPERDÍVEL.
Vão lá:
http://www.malvados.com.br/blogosferabrasileira/index.html
Olha eu ali no cantinho! Eu sou um país litorâneo! \o_
(pena que não me situaram no continente da putaria, lá me parece ser deverasmente mais divertido rs)
e a briguinha de egos nos comentários está IMPERDÍVEL.
Vão lá:
http://www.malvados.com.br/blogosferabrasileira/index.html
domingo, setembro 02, 2007
quarta-feira, agosto 29, 2007
Oi gente. Que saudades!
Dia da Visibilidade Lésbica é celebrado em todo Brasil nessa quarta-feira
Quer dizer que as lésbicas são invisíveis no resto do ano? Õ.o
Fui em Madrid agora em julho e acabei chegando bem na época de um mega-hiper-encontro de orgulho gay internacional (acidentalmente, perae!) onde a minha reação era a seguinte na cabeça, ao passar pelas passeatas e a multidão que assolou a capital da Espanha:
"Gay, gay, gay. Aquele ali, só de quebrar o pescocinho já se estrega. Putzz.
Olha!
Hm, gata. Gatíssima! Vou encarar.
Hm...corpão...
*vai analisando no meio da multidão*
Hã?
Ah NÃO."
Esse era precisamente o momento em que eu notava a mão da lésbica dada com outra lésbica igualmente gata, normalmente ambas com a bandeira do orgulho gay no pescoço.
No mínimo frustrante, já que não sou voyeur. ¬¬
Dia da Visibilidade Lésbica é celebrado em todo Brasil nessa quarta-feira
Quer dizer que as lésbicas são invisíveis no resto do ano? Õ.o
Fui em Madrid agora em julho e acabei chegando bem na época de um mega-hiper-encontro de orgulho gay internacional (acidentalmente, perae!) onde a minha reação era a seguinte na cabeça, ao passar pelas passeatas e a multidão que assolou a capital da Espanha:
"Gay, gay, gay. Aquele ali, só de quebrar o pescocinho já se estrega. Putzz.
Olha!
Hm, gata. Gatíssima! Vou encarar.
Hm...corpão...
*vai analisando no meio da multidão*
Hã?
Ah NÃO."
Esse era precisamente o momento em que eu notava a mão da lésbica dada com outra lésbica igualmente gata, normalmente ambas com a bandeira do orgulho gay no pescoço.
No mínimo frustrante, já que não sou voyeur. ¬¬
terça-feira, agosto 28, 2007
Eu me assusto a mim mesma.
Fantasiar-me de palhaça em eventos interativos do posto de saúde não foi problema nenhum pra mim.
Pagar mico na frente dos pacientes num bingo tosco que organizaram, muito menos.
Sair catando vítimas para dançarem a dança do siri até que foi divertidíssimo.
AGORA..
Colocar a médica orientadora e ex-Secretária da Saúde no meio dessa esculhambação foi demais até pra MIM.
Algo me diz que tal ação implicará em SÉRIAS consquências no meu histórico acadêmico..
Fantasiar-me de palhaça em eventos interativos do posto de saúde não foi problema nenhum pra mim.
Pagar mico na frente dos pacientes num bingo tosco que organizaram, muito menos.
Sair catando vítimas para dançarem a dança do siri até que foi divertidíssimo.
AGORA..
Colocar a médica orientadora e ex-Secretária da Saúde no meio dessa esculhambação foi demais até pra MIM.
Algo me diz que tal ação implicará em SÉRIAS consquências no meu histórico acadêmico..
segunda-feira, agosto 27, 2007
Mazelice do dia
Treinar como acertar uma agulha de seringa num ângulo de 90 graus com uma LARANJA(segundo a enfermeira, ela oferece a mesma resistência de um músculo), lambuzar o jaleco com suco de laranja, descobrir que a laranja estava docinha, fugir do laboratório com uma laranja no bolso do jaleco, correr pro funcionário chapa da cantina capitalista e soltar a máxima:
- Ei, me empresta uma faca pra eu cortar uma laranja?
Ouvir um "não" do funcionário porque o gerente porco capitalista estava do lado, sair correndo desesperada atrás de uma faca porque o jaleco já estava com cheirinho de laranjeira, descobrir uma amiga que almoça de quentinha porque também considera a cantina uma arma capitalista da faculdade, pedir emprestado a faca dela, prometer devolver mais tarde(e esquecer)e comer a laranja na maior felicidade do mundo e na maior fome do mundo.
Realmente, a essência das pessoas não muda..
Treinar como acertar uma agulha de seringa num ângulo de 90 graus com uma LARANJA(segundo a enfermeira, ela oferece a mesma resistência de um músculo), lambuzar o jaleco com suco de laranja, descobrir que a laranja estava docinha, fugir do laboratório com uma laranja no bolso do jaleco, correr pro funcionário chapa da cantina capitalista e soltar a máxima:
- Ei, me empresta uma faca pra eu cortar uma laranja?
Ouvir um "não" do funcionário porque o gerente porco capitalista estava do lado, sair correndo desesperada atrás de uma faca porque o jaleco já estava com cheirinho de laranjeira, descobrir uma amiga que almoça de quentinha porque também considera a cantina uma arma capitalista da faculdade, pedir emprestado a faca dela, prometer devolver mais tarde(e esquecer)e comer a laranja na maior felicidade do mundo e na maior fome do mundo.
Realmente, a essência das pessoas não muda..
quarta-feira, agosto 15, 2007
Amores livres
Contei em nota recente a entrevista do querido arcebispo na televisão pernambucana.O locutor
fez a seguinte pergunta estapafúrdia:
-"Padre,o que é que o senhor acha do amor livre?".
O nordeste em peso tremeu. O arcebispo fez um risonho suspense e fala:
- "Por que tratar de amor livre se o Nordeste passa fome?"
Assim falou o grande arcebispo.Mas o amigo,Hélio,que soube do episódio,comentava comigo:
-"Ah,o arcebispo pperdeu a chance de uma resposta genial".Se o Hélio lá estivesse havia de responder,na hora,em cima da pergunta:"O amor livre é a fome".
Aqui entro eu para observar:Claro que a fome do nordeste é muito mais promocional.
E porque faz as relações públicas da fome nordestina,o arcebispo despreza ou esquece as outras formas de fome do homem:pois o amor livre,como diz o amigo Hélio,é uma delas, e insisto: - Uma das mais cruéis tipo de fome,das mais hediondas.
Na minha infância havia um rapaz que era o escândalo de toda a Aldeia Campista.Chamava-se Meireles (Meireles ou Marcondes?Não.nao.Era Meireles mesmo).Pois o Meireles tinha uma namorada em cada esquina,noivas e esposas por toda a cidade.
Muitos já insinuavam o viticínio: -"Qualquer dia dão-lhe um tiro!".
Meireles foi,talvez,o primeiro sujeito que ouvi falar em "amor livre".Certa vez houve uma festa na vizinhança e o Meireles(ou seria Marcondes?) estava lá e tomou conta da festa.
Cercado de mocinhas,de senhoras,contou a própria vida.
Confirmou que tinha uma paixão,ou várias em cada bairro.
Alguém lhe perguntou se não tinha vergonha.Então ele abriu o sorriso e disse:-"Vergonha teria de ser homem de uma mulher só".
No fundo,no fundo, a audiência feminina estava fascinada com este descaro monumental.Antes de sair,disse ainda:
- Qualquer um pode gostar de quinhentas ao mesmo tempo.
Eu estava no aniversário.O Meireles foi,talvez o primeiro cínico que conheci na vida real.
Depois que o Meireles saiu,um vizinho,já senhor de idade,de olhos grandes e triste,disse apenas:-"É um canalha!".Ai esta um ponto de exclamação que realmente o velho não usou.Dissera apenas "canalha" sem ira, uma "canalha" que saiu apenas informativo.Quanto a mim,nos meus sete anos,exatamente sete anos,tive uma náusea adulta.Pode parecer que eu esteja aqui retocando,valorizando uma reação infantil.Repito que me veio ânsia,quase um vômito ético.Desinteresse-me pela festa,e vim para casa com vontade de morrer.Exatamente - vontade de morrer.
Eu não entendia um Meireles.
Nascia comigo o horror de trair.Eu queria ser fiel e que todos fossem fiéis.Amar a mesma pessoa sempre.
Em toda minha infância,minha utopia era viver e morrer com o ser amado.
Volto ao Meireles.
Nos fundos da nossa casa havia uma farmácia.E uma tarde o Meireles entra lá.Nunca riu tanto.Ouvia-se a sua gargalhada no fim da rua.Contou anedotas.E em um dado momento diz que naquele momento estava sendo pai outra vez.Alguém perguntou: -"Quantos?". Ele pensou um momento e resmungou:-"Sei lá!".E de repente o Meireles,à volta de todo,puxou o revolver.
Houve protestos: "Não brinca!Vira isso pra lá!".
E então,pálido mas sereno ele introduziu o cano na boca,sem ninguém dizer nada,puxou o gatilho.Eu estava em casa e ouvi o tiro.Lembrou-me agora do tal senhor triste,que o chamava de canalha,disse:-"Quem deveria ter dado o tiro era um pai,um marido,ou irmão de alguma moça dessas".Morte instântanea,disse o jornal no dia seguinte.
Hoje na minha casa,penso de vez em qundo no Meireles.
E o gesto suicida parece um mistério.O mais transparente dos mistérios.
Na época todos perguntaram:-"Por que?".
Ninguém entendia nada.
Mas o mistério de Meireles esta bem nítido.
Morreu de amor livre e,pois, de falta de amor.
Tudo é falta de amor.
As lesões do sentimento.A crueldade.
Tudo,tudo falta de amor.
E o Meireles tentou separar o amor e o sexo.E sempre há os que apodrecem em vida porque separaram o sexo e o amor.Há toda hora esbarramos com sujeitos que praticam a variedade sexual.
Esses vão morrer na mais fria,lívida,espantosa solidão.
Por vezes,de madrugada,começo a jogar com as palavras:
-"Quem tem uma,tem todas.Quem tem todas,não tem ninguém.."
Depois do suicido do Marcondes(ou seria Meireles?),andaram fazendo nos bairros um censo das mulheres de Meireles.Falou em torno de duzentas..
Veja só você.
Porque teve duzentas,o Meireles morreu virgem de amor..
...
Trecho de:
"O Óbvio Ululante:Primeiras Confissões"
Nelson Rodrigues
Contei em nota recente a entrevista do querido arcebispo na televisão pernambucana.O locutor
fez a seguinte pergunta estapafúrdia:
-"Padre,o que é que o senhor acha do amor livre?".
O nordeste em peso tremeu. O arcebispo fez um risonho suspense e fala:
- "Por que tratar de amor livre se o Nordeste passa fome?"
Assim falou o grande arcebispo.Mas o amigo,Hélio,que soube do episódio,comentava comigo:
-"Ah,o arcebispo pperdeu a chance de uma resposta genial".Se o Hélio lá estivesse havia de responder,na hora,em cima da pergunta:"O amor livre é a fome".
Aqui entro eu para observar:Claro que a fome do nordeste é muito mais promocional.
E porque faz as relações públicas da fome nordestina,o arcebispo despreza ou esquece as outras formas de fome do homem:pois o amor livre,como diz o amigo Hélio,é uma delas, e insisto: - Uma das mais cruéis tipo de fome,das mais hediondas.
Na minha infância havia um rapaz que era o escândalo de toda a Aldeia Campista.Chamava-se Meireles (Meireles ou Marcondes?Não.nao.Era Meireles mesmo).Pois o Meireles tinha uma namorada em cada esquina,noivas e esposas por toda a cidade.
Muitos já insinuavam o viticínio: -"Qualquer dia dão-lhe um tiro!".
Meireles foi,talvez,o primeiro sujeito que ouvi falar em "amor livre".Certa vez houve uma festa na vizinhança e o Meireles(ou seria Marcondes?) estava lá e tomou conta da festa.
Cercado de mocinhas,de senhoras,contou a própria vida.
Confirmou que tinha uma paixão,ou várias em cada bairro.
Alguém lhe perguntou se não tinha vergonha.Então ele abriu o sorriso e disse:-"Vergonha teria de ser homem de uma mulher só".
No fundo,no fundo, a audiência feminina estava fascinada com este descaro monumental.Antes de sair,disse ainda:
- Qualquer um pode gostar de quinhentas ao mesmo tempo.
Eu estava no aniversário.O Meireles foi,talvez o primeiro cínico que conheci na vida real.
Depois que o Meireles saiu,um vizinho,já senhor de idade,de olhos grandes e triste,disse apenas:-"É um canalha!".Ai esta um ponto de exclamação que realmente o velho não usou.Dissera apenas "canalha" sem ira, uma "canalha" que saiu apenas informativo.Quanto a mim,nos meus sete anos,exatamente sete anos,tive uma náusea adulta.Pode parecer que eu esteja aqui retocando,valorizando uma reação infantil.Repito que me veio ânsia,quase um vômito ético.Desinteresse-me pela festa,e vim para casa com vontade de morrer.Exatamente - vontade de morrer.
Eu não entendia um Meireles.
Nascia comigo o horror de trair.Eu queria ser fiel e que todos fossem fiéis.Amar a mesma pessoa sempre.
Em toda minha infância,minha utopia era viver e morrer com o ser amado.
Volto ao Meireles.
Nos fundos da nossa casa havia uma farmácia.E uma tarde o Meireles entra lá.Nunca riu tanto.Ouvia-se a sua gargalhada no fim da rua.Contou anedotas.E em um dado momento diz que naquele momento estava sendo pai outra vez.Alguém perguntou: -"Quantos?". Ele pensou um momento e resmungou:-"Sei lá!".E de repente o Meireles,à volta de todo,puxou o revolver.
Houve protestos: "Não brinca!Vira isso pra lá!".
E então,pálido mas sereno ele introduziu o cano na boca,sem ninguém dizer nada,puxou o gatilho.Eu estava em casa e ouvi o tiro.Lembrou-me agora do tal senhor triste,que o chamava de canalha,disse:-"Quem deveria ter dado o tiro era um pai,um marido,ou irmão de alguma moça dessas".Morte instântanea,disse o jornal no dia seguinte.
Hoje na minha casa,penso de vez em qundo no Meireles.
E o gesto suicida parece um mistério.O mais transparente dos mistérios.
Na época todos perguntaram:-"Por que?".
Ninguém entendia nada.
Mas o mistério de Meireles esta bem nítido.
Morreu de amor livre e,pois, de falta de amor.
Tudo é falta de amor.
As lesões do sentimento.A crueldade.
Tudo,tudo falta de amor.
E o Meireles tentou separar o amor e o sexo.E sempre há os que apodrecem em vida porque separaram o sexo e o amor.Há toda hora esbarramos com sujeitos que praticam a variedade sexual.
Esses vão morrer na mais fria,lívida,espantosa solidão.
Por vezes,de madrugada,começo a jogar com as palavras:
-"Quem tem uma,tem todas.Quem tem todas,não tem ninguém.."
Depois do suicido do Marcondes(ou seria Meireles?),andaram fazendo nos bairros um censo das mulheres de Meireles.Falou em torno de duzentas..
Veja só você.
Porque teve duzentas,o Meireles morreu virgem de amor..
...
Trecho de:
"O Óbvio Ululante:Primeiras Confissões"
Nelson Rodrigues
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