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sábado, junho 14, 2008

Viva..!

Às vezes, a gente insiste no erro por pura teimosia de que nossos sentimentos podem superar todas as adversidades. Viver num mundo de algodão-doce, ao que me parece, só deu certo no desenho animado dos ursinhos carinhosos, mesmo..



Superar, seguir em frente, virar a página..
Viver.
(porque sobreviver à custas do que já foi é involuir na existência..)

quarta-feira, maio 28, 2008

Fortaleza, 28 de maio de 2008

Caro Hipócrates,

Na quarta feira, 28 de maio de 2008, fui convidada a assistir a uma aula que seria ministrada no período da tarde na biblioteca da faculdade Federal de Medicina por uma professora da minha faculdade, que também é de Medicina e é particular. Essa professora, excelente médica, daria uma explanação sobre antibióticos e, coincidentemente, dias antes, eu e um grupo de mais três alunos pedimos a ela que nos ensinasse mais sobre esse assunto, e daí veio a idéia do convite à aula.
Um pergunta, caro mestre: Existe algum problema em um grupo de três, quatro pessoas assistir a uma aula na biblioteca de uma instituição pública como convidados? Eu não vi. Por isso, e também para prestigiar essa professora, aceitei o convite.
Chegando na Universidade, fomos à biblioteca, cumprimentamos a professora e nos acomodamos em cadeiras no fundo do auditório.
Percebi que alguns colegas que fizeram cursinho comigo me viravam o rosto quando nossos olhares se cruzavam. Notei, também, uma certa agitação da parte de algumas meninas que nos olhavam de forma agressiva e que começaram a entrar e a sair da sala insistentemente. Poucos minutos após a aula ter-se iniciado, a professora foi chamada à porta.
- Mas eu estou dando aula, tem de ser agora?
Devido à insistência de quem a chamou, ela se retirou e nós ficamos nos entreolhando, temendo que aconteceria o que veio a acontecer: a professora, com a face avermelhada, pediu que viéssemos até porta. Ao atravessarmos o auditório, escutamos risinhos, vaias e um aluno começou a bater palmas.
Na saída, ela nos informou o seguinte:
- Pessoal, eu sinto muito..Eu não vi problema nenhum em vocês virem até aqui, mas.. Eu estou sem ação. Minha formação humana não foi essa.
Ela não precisou completar. Nós entendemos e dissemos que a culpa não era dela. Saindo da biblioteca, encontrei uma amiga que pertece a essa turma. Eu disse a ela que fomos expulsos do auditório da biblioteca pelos alunos da classe dela, mas, se um dia algum deles quiser aparecer na minha faculdade para assistir uma conferência(algo que já ocorreu diversas vezes com alunos de outras faculdades de Medicina, inclusive da própria Federal), eles seriam bem-vindos.
Um dos meus colegas, estupefato, disse-me:
- Eu honestamente não entendo. Chega a ser paradoxal. Medicina é, antes de tudo, respeito ao indivíduo. Eu não escolhi Medicina para isso. Quer dizer que, se algum dia no futuro eu trabalhar no mesmo hospital que uma dessas pessoas, nós ficaremos em salas diferentes porque elas cursaram uma faculdade diferente da minha e minha presença é vetada em qualquer espaço que elas estejam? Eu sou proibido de assistir uma aula a convite de um professor por pessoas que eu nunca fiz nenhum mal por pura intriga?Se eu fosse uma pessoa qualquer que não cursasse o mesmo curso deles, eu poderia ter assistido essa aula? São esses os valores morais desses futuros colegas de profissão? É um apartheid na área médica declarado!?!!?!

Realmente, é de se lamentar agressões gratuitas como essa. Num País em que a saúde está um caos(viva o SUS!), os salários encolhem cada vez mais(vivam os planos de saúde!),alguns alunos das faculdades Federais de Medicina, apesar de toda a carga horária de aulas e de estudos, ainda encontram tempo de cultivar inimizades desnecessárias e de humilhar futuros colegas de profissão gratuitamente. Teoricamente, a Medicina trata-se da eterna luta do homem contra a morte. Para esse grupo de alunos, é a luta do homem contra o homem..
Bem, mestre, esse foi só um desabafo. Agora, dê-me licença, porque vou procurar um bom livro de fármaco..
Até mais,
Uma aluna de Medicina que ainda não aprendeu o bastante sobre antibióticos

sexta-feira, maio 23, 2008

Plagiado *daqui*

"A capacidade de esquecer é o que existe de mais precioso sobre a face da terra, sob as nossas faces. Amar é indubitavelmente mais magnânimo, mas não é tão essencial quanto o esquecimento: é ele que nos mantém vivos. O amor torna a paisagem mais bonita, mas é o bálsamo curativo do esquecimento que nos faz ter vontade de abrir os olhos para vê-la. A paixão empresta um sentido quase mítico aos dias, mas é esquecer da excruciante tristeza perante a morte dela que nos torna aptos para nos encantarmos novamente dali a pouco.

Já esqueci amores inesquecíveis e sobrevivi a paixões que, tinha convicção, me aniquilariam se terminassem. Às vezes cruzo na rua com fantasmas que já foram muito vivos na minha história e não deixo de sentir uma certa melancolia por perceber que aquele rosto um dia pleno de significado se tornou tão relevante quanto um outdoor de pasta de dente. Algumas pessoas são apagadas da memória como filmes desimportantes. Sem maldade ou intenção; apenas esmaecem até desaparecer. Mas é mesmo impossível nos lembrar de todos os que passaram por nós: gente demais, espaço de menos. Da mesma forma que minha história está repleta de coadjuvantes e figurantes que, irrefletidamente, se auto-proclamavam protagonistas, eu devo ser a personagem cômica da história de alguém. Ninguém se esquiva da experiência constrangedora de bancar o bobo da corte no reino de outro.

Mas esse oco de significado não vem sem um certo pesar. É ruim notar que já não dizemos praticamente nada para quem importou tanto. Na verdade é dolorido ser olvidado: não é fácil encarar que não somos insubstituíveis e que nossa saída displicente abre uma possibilidade de entrada tão desejada por outros. Mas só nos desenroscamos e seguimos nosso rumo natural, em frente, quando eliminamos alguns seres que, caso contrário, nos prenderiam aos emaranhantes aguapés de recordações.

"Há pessoas que ficam doendo com a lembrança de outra pessoa, entra ano, sai ano, virando e revirando o caleidoscópio, olhando como caem e de dispõe as cores e os cristais do sofrimento" (Paulo Mendes Campos).

O passado deve ser mantido no lugar dele e não trazido nas costas feito mochila de viajante, lotado com os erros cometidos e alegrias jamais revividas. Para ser feliz é necessário pouca coisa além se livrar do excesso de carga e esquecer as coisas certas. É útil também jamais perder de vista um detalhe, afixá-lo no espelho do banheiro, repetir como um mantra: absolutamente nada é pra sempre, nem sentimentos que parecem ser. Nunca mais haverá amor como aquele? Ótimo, porque o novo é tão imenso que seria um desperdício se algo se repetisse.

Todo mundo passa. E é bom que seja assim."




DO AMOROSO ESQUECIMENTO

Eu agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

Mario Quintana - Espelho Mágico

quinta-feira, maio 22, 2008

Milan Kundera, A insustentável leveza do ser, Parte 1, capítulo 2

"Se cada segundo de nossas vidas repete-se infinitas vezes, somos pregados à eternidade feito Jesus Cristo na cruz. É uma perspectiva aterrorizante. No mundo do eterno retorno, o peso da responsabilidade insuportável recai sobre cada movimento que fazemos. É por isso que Nietzsche chamou a idéia do eterno retorno o mais pesado dos fardos (das schwerste Gewicht).

Se o eterno retorno é o mais pesado dos fardos, então nossas vidas contrapõem-se a ele em toda a sua esplêndida leveza.

Mas será o peso de fato deplorável, e esplêndida a leveza?

O mais pesado dos fardos nos esmaga; sob seu peso, afundamos, somos pregados ao chão. E, no entanto, na poesia amorosa de todas as épocas, a mulher anseia por sucumbir ao peso do corpo do homem. O mais pesado dos fardos é, pois, simultaneamente, uma imagem da mais intensa plenitude da vida. Quanto mais pesado o fardo, mais nossas vidas se aproximam da terra, fazendo-se tanto mais reais e verdadeiras.

Inversamente, a ausência absoluta de um fardo faz com que o homem se torne mais leve do que o ar, fá-lo alçar-se às alturas, abandonar a terra e sua existência terrena, tornando-o apenas parcialmente real, seus movimentos tão livres quanto insignificantes.

O que escolheremos então? O peso ou a leveza?

Parmênides levantou essa mesma questão no sexto século antes de Cristo. Ele via o mundo dividido em pares opostos: luz/escuridão, fineza/rudeza, calor/frio, ser/não-ser. A uma metade da oposição, chamou positiva (luz, fineza, calor, ser); à outra, negativa. Nós poderíamos achar essa divisão em um pólo positivo e outro negativo infantilmente simples, não fosse por uma dificuldade: qual é o positivo, o peso ou a leveza?

Parmênides respondeu: a leveza é positiva; o peso, negativo.

Tinha ou não razão? Essa é a questão. Certo é apenas que a oposição leveza/peso é a mais misteriosa, a mais ambígua de todas."

E o que vocês preferem? O peso ou a leveza?

terça-feira, maio 13, 2008

No Rain

Depois de séculos sem postar nada, eis que os três visitantes do dia 13/05/08 chegaram até esse blog procurando por ex-participantes do BBB peladas.

Ah, como eu sinto falta da blogolândia.

Dia desses, estava na UTI de um hospital para acompanhar uma entidade querida no falecimento do seu tio, que era alcoólatra. Enquanto o corpo desse tio era enrolado nas ataduras, cruzei o olhar com um velhinho de 83 anos que estava no leito ao lado, cheio de eletrodos no peito, respirando de boca aberta e com o rosto tão pálido quanto um lençol duma propaganda de amaciantes Fofo.
"Ele deve se sentir como se estivesse na fila de espera.", não pude evitar de pensar. Enquanto eu andava de um lado para o outro da UTI, esse velhinho cismava em me acompanhar com os olhos. Parei. Ele piscou. "Oxe, ele tá acordado?" Continuei. Ele virou o pescoço para me acompanhar. Parei de novo. Ele sorriu.
Não dá pra explicar a sensação que experimentei naquele momento. Ele, já em condição terminal, com a respiração parecendo o cooler do meu computador que já não presta mais, ainda teve vontade de sorrir pra mim ?!
E eu, que há tempos já não sorrio sequer pra uma criança no meio da rua?
Obrigada, velhinho do leito 15. Você me ensinou algo que eu vou carregar comigo pro resto da vida: no estágio final, só o que a gente tem que ter e levar com a gente é amor. Ali, naquela cama fria, de que valem as mágoas, as desilusões, os maus-entendidos? Nada.
E aqui, enquanto sentada no meu computador e rindo sozinha da mazelice do Ronaldo, de que me vale carregar comigo os nhenhenhéns da vida cotidiana?
Nada, não valem nada.

É preciso não deixar que isso seja esquecido..

domingo, março 30, 2008

Por não estarem distraídos - Clarice Lispector

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.


::: Nessas horas, questiono-me se eu já deixei de acreditar faz tempo ou se na verdade nunca existiu..::

domingo, março 23, 2008

Dúvidas da humanidade humana

Estaria Vanessão falando a verdade?

terça-feira, março 18, 2008


"história" é a ficção que nós inventamos para nos convencer de que os eventos são conhecidos e que a vida possui uma ordem e uma direção."


Fora eu, alguém mais se pergunta frequentemente para onde essa vida bandida vai nos levar?

domingo, março 02, 2008

Um presente pra vocês.

http://osorhan.com/bigo/

:::E no final das contas, o "pedacinho que faltava" aprendeu que deveria parar de procurar nos outros o que ele precisava encontrar em si mesmo.:::

(obrigada, amiga Nane, por sempre me acrescentar os melhores pensamentos possíveis)

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

ME MATA DE ZORGULHO!


Britchey e Vesgo!


É por esse tipo de pessoa que eu ainda acredito no povo brasileiro.