Twitter
Bora ver se isso presta?
http://twitter.com/choobis
sábado, outubro 03, 2009
sexta-feira, setembro 25, 2009
No consultório médico
- Que linda a cor do seu cabelo, são mechas californianas?
- Mecha de quem?
- Californiana, aquela que é só nas pontas.
- Não, não, isso é falta de tempo e de dinheiro pra consertar o cabelo em salão especializado.
A moda anda tão democrática que até quem não faz esforço pra estar nela está sendo copiado, cambada.
Enquanto isso, poeminha vagabundo escrito num muro de Fortaleza:
"Tanta coisa pra te dizer, tanta coisa pra te falar/ E, apesar de todo esse tempo/ é tão difícil disfarçar que eu nunca deixei de te amar."
Huar.
(Pensamentos de bobinhos apaixonados da 4ªsérie ainda me comovem.)
- Que linda a cor do seu cabelo, são mechas californianas?
- Mecha de quem?
- Californiana, aquela que é só nas pontas.
- Não, não, isso é falta de tempo e de dinheiro pra consertar o cabelo em salão especializado.
A moda anda tão democrática que até quem não faz esforço pra estar nela está sendo copiado, cambada.
Enquanto isso, poeminha vagabundo escrito num muro de Fortaleza:
"Tanta coisa pra te dizer, tanta coisa pra te falar/ E, apesar de todo esse tempo/ é tão difícil disfarçar que eu nunca deixei de te amar."
Huar.
(Pensamentos de bobinhos apaixonados da 4ªsérie ainda me comovem.)
domingo, setembro 13, 2009
Nunca eu tivera querido
Dizer palavra tão louca
Bateu-me um vento na boca
E depois no teu ouvido
Levou somente a palavra
Deixou ficar o sentido
O sentido está guardado
No rosto com que te miro
Nesse perdido suspiro
Que te segue alucinado
No meu sorriso suspenso
Como um beijo malogrado
Nunca ninguém viu ninguém
Que o amor pusesse tão triste
Esta tristeza não viste
E eu sei que ela se vê bem
Só se aquele mesmo vento
Fechou teus olhos também
Cecília Meireles
"Arrependemo-nos raramente de falar pouco, e muito frequentemente de falar demais: máxima usada e trivial, que todo o mundo sabe e que ninguém pratica." Jean de La Bruyère
Creio que o problema não seja necessariamente "falar". O problema, na maioria das vezes, é "como se fala".(ou, em outros casos, "como se compreende".)
Dizer palavra tão louca
Bateu-me um vento na boca
E depois no teu ouvido
Levou somente a palavra
Deixou ficar o sentido
O sentido está guardado
No rosto com que te miro
Nesse perdido suspiro
Que te segue alucinado
No meu sorriso suspenso
Como um beijo malogrado
Nunca ninguém viu ninguém
Que o amor pusesse tão triste
Esta tristeza não viste
E eu sei que ela se vê bem
Só se aquele mesmo vento
Fechou teus olhos também
Cecília Meireles
"Arrependemo-nos raramente de falar pouco, e muito frequentemente de falar demais: máxima usada e trivial, que todo o mundo sabe e que ninguém pratica." Jean de La Bruyère
Creio que o problema não seja necessariamente "falar". O problema, na maioria das vezes, é "como se fala".(ou, em outros casos, "como se compreende".)
sábado, agosto 01, 2009
Maru
Não é de hoje que vocês já devem ter percebido meu interesse por felinos.
Até os dezessete anos, quando ganhei minha primeira gatinha, eu não compreendia como alguém poderia gostar de entidades peludas e causadoras de espirros que dormem, comem e nos miram com olhar de desprezo o dia todo.
Foi então que eu aprendi que certas belezas só são compreendidas por quem as vivencia. No caso, todos os gatinhos que me presentearam com sua companhia se tornaram amigos fiéis e extremamente carinhosos. Descobri que, diferentemente dos cães, os gatos só demonstram sua real personalidade àqueles que eles escolhem como donos e, uma vez que um gatinho é cativado, você se torna eternamente responsável por ele.
(mas todas as amizades - sejam elas entre quais espécies forem - não deveriam ser assim?)
Nada contra os cachorros, aliás, quem conheceu minha finada cadela Milla também sabe o quanto eu a amava. Eu diria que não há uma relação de melhor/pior entre essas duas espécies; elas são, simplesmente, diferentes. Por exemplo, eu sou alucinada por café e por chocolate. Se alguém me dissesse que eu teria de escolher entre um dos dois, quando esse alguém se distraísse eu meteria o chocolate no bolso e sairia correndo com a xícara de café. (simples, muito simples)
Mas então.
Gostaria de apresentá-los o gatinho japonês Maru.
Como vocês podem perceber, ele tem uma certa queda por caixas grandes de papelão.
E por caixinhas de papelão com propaganda de iorgute dietético também.
O dono do Maru se diverte tanto com tais registros que até site em japonês/inglês ele fez:
http://sisinmaru.blog17.fc2.com/
:::Oraessa, se eu tivesse tempo livre, filmaria as traquinagens da Sylvie e do Chá-Chá também!:::
Não é de hoje que vocês já devem ter percebido meu interesse por felinos.
Até os dezessete anos, quando ganhei minha primeira gatinha, eu não compreendia como alguém poderia gostar de entidades peludas e causadoras de espirros que dormem, comem e nos miram com olhar de desprezo o dia todo.
Foi então que eu aprendi que certas belezas só são compreendidas por quem as vivencia. No caso, todos os gatinhos que me presentearam com sua companhia se tornaram amigos fiéis e extremamente carinhosos. Descobri que, diferentemente dos cães, os gatos só demonstram sua real personalidade àqueles que eles escolhem como donos e, uma vez que um gatinho é cativado, você se torna eternamente responsável por ele.
(mas todas as amizades - sejam elas entre quais espécies forem - não deveriam ser assim?)
Nada contra os cachorros, aliás, quem conheceu minha finada cadela Milla também sabe o quanto eu a amava. Eu diria que não há uma relação de melhor/pior entre essas duas espécies; elas são, simplesmente, diferentes. Por exemplo, eu sou alucinada por café e por chocolate. Se alguém me dissesse que eu teria de escolher entre um dos dois, quando esse alguém se distraísse eu meteria o chocolate no bolso e sairia correndo com a xícara de café. (simples, muito simples)
Mas então.
Gostaria de apresentá-los o gatinho japonês Maru.
Como vocês podem perceber, ele tem uma certa queda por caixas grandes de papelão.
E por caixinhas de papelão com propaganda de iorgute dietético também.
O dono do Maru se diverte tanto com tais registros que até site em japonês/inglês ele fez:
http://sisinmaru.blog17.fc2.com/
:::Oraessa, se eu tivesse tempo livre, filmaria as traquinagens da Sylvie e do Chá-Chá também!:::
sexta-feira, julho 24, 2009
Filosofemos
Presenteando-me com um intervalo enquanto escrevo um capítulo para um livro de Ginecologia (a propósito, se alguém puder me fornecer algum artigo científico sobre 'sangramento anormal no climátério' do ano de 2005 pra cá eu ficaria deveras feliz&contente), flaguei-me pensando no ato de estupidez que eu cometi hoje ao apagar um SPAM nos comentários e terminei apagando tambem as palavras de afeto&carinho do meu querido leitor Ubiratan, vulgo Bira, que estavam logo abaixo.
A propósito e NADAVER com o texto,'Ubiratan'é o nome de um professor de química da época do cursinho que, certa vez, presenteou-me com balas de gengibre que eu detestei mas que guardei a caixa com carinho porque ele disse que o desenho da embalagem o lembrou de um desenho que eu fizera dele há algum tempo. (e antes que vocês me perguntem, o desenho era meiguinho.)
Infelizmente, não pude salvar os comentários desse leitor, mas me diverte o fato que, depois de tanto tempo, ele vem aos comentários fazendo referência ao tempo em que eu prestava vestibular (e eu já passei da metade do tempo de faculdade) e citando um namoro que acabou há mais de três anos ( que hoje é uma bela amizade, felizmente) enquanto eu já tive outras experiências depois desse relacionamento (aliás, estou no meio de uma delas, a diferença é que eu não a exponho aqui) como se tais fatos me afetassem. É semelhante a algum coleguinha que ficou chateado com você nos tempos de jardim da infância aparecer hoje na sua vida adulta dizendo que você é "bobo" e que nunca conseguiu lhe perdoar porque, um dia, vocês trocaram uns pontapés porque vocês dois queriam o mesmo pedaço do bolo de aniversário de outro coleguinha seu.
Bira, preciso lhe informar,a vida não é um retrato: ninguém é inerte, ninguém é imutável. Eu amadureci nesses três anos, e lhe sugiro que faça o mesmo. Tanta coisa bonita e terrível aconteceu na minha vida depois dos fatos que você relembrou que hoje tais recordações me dão o conhecido 'sorriso da saudade', uma vez que eu já tirei delas o que elas tinham a me oferecer (e a gente tem de carregar consigo o que é bom, o resto é resto). Sugiro que você analise sua raiva e o seu rancor e se pergunte o porquê da necessidade de você transferi-los para mim. Desejar mal a alguém gratuitamente é a mesma coisa de tomar veneno todos os dias e esperar que outra pessoa morra envenenada, caro leitor abusadinho.
No mais, como diriam os Beatles, a vida é muito curta e não há tempo para implicâncias e brigas, meu amigo.
Presenteando-me com um intervalo enquanto escrevo um capítulo para um livro de Ginecologia (a propósito, se alguém puder me fornecer algum artigo científico sobre 'sangramento anormal no climátério' do ano de 2005 pra cá eu ficaria deveras feliz&contente), flaguei-me pensando no ato de estupidez que eu cometi hoje ao apagar um SPAM nos comentários e terminei apagando tambem as palavras de afeto&carinho do meu querido leitor Ubiratan, vulgo Bira, que estavam logo abaixo.
A propósito e NADAVER com o texto,'Ubiratan'é o nome de um professor de química da época do cursinho que, certa vez, presenteou-me com balas de gengibre que eu detestei mas que guardei a caixa com carinho porque ele disse que o desenho da embalagem o lembrou de um desenho que eu fizera dele há algum tempo. (e antes que vocês me perguntem, o desenho era meiguinho.)
Infelizmente, não pude salvar os comentários desse leitor, mas me diverte o fato que, depois de tanto tempo, ele vem aos comentários fazendo referência ao tempo em que eu prestava vestibular (e eu já passei da metade do tempo de faculdade) e citando um namoro que acabou há mais de três anos ( que hoje é uma bela amizade, felizmente) enquanto eu já tive outras experiências depois desse relacionamento (aliás, estou no meio de uma delas, a diferença é que eu não a exponho aqui) como se tais fatos me afetassem. É semelhante a algum coleguinha que ficou chateado com você nos tempos de jardim da infância aparecer hoje na sua vida adulta dizendo que você é "bobo" e que nunca conseguiu lhe perdoar porque, um dia, vocês trocaram uns pontapés porque vocês dois queriam o mesmo pedaço do bolo de aniversário de outro coleguinha seu.
Bira, preciso lhe informar,a vida não é um retrato: ninguém é inerte, ninguém é imutável. Eu amadureci nesses três anos, e lhe sugiro que faça o mesmo. Tanta coisa bonita e terrível aconteceu na minha vida depois dos fatos que você relembrou que hoje tais recordações me dão o conhecido 'sorriso da saudade', uma vez que eu já tirei delas o que elas tinham a me oferecer (e a gente tem de carregar consigo o que é bom, o resto é resto). Sugiro que você analise sua raiva e o seu rancor e se pergunte o porquê da necessidade de você transferi-los para mim. Desejar mal a alguém gratuitamente é a mesma coisa de tomar veneno todos os dias e esperar que outra pessoa morra envenenada, caro leitor abusadinho.
No mais, como diriam os Beatles, a vida é muito curta e não há tempo para implicâncias e brigas, meu amigo.
Vida bandida
Trabalhar em ambulatório de Fortal(nada contra os baianos, tudo contra a axé music e suas assonâncias e aliterações nauseantes)é experiência pra poucos.
Ontem, em meio a Plasils injetáveis e glicoses 50%, apareceu no ambulatório uma menina bonitinha, aparentemente de boa casta social, acompanhada de uma amiga e de um amigo.
- Pessoal, só pode entrar um acompanhante por vez.
- E você é quem?
- Estagiária de plantão, prazer. (indicando o crachá). Sua amiga só fez uso de álcool?
- Eu bebi tudo! Tudo! O que você botar aí eu bebi!
- E cheirou também?
- (Virando-se para a amiga ao lado)Essa loira tá perguntando se eu tô fedendo?
- Não, eu estou perguntando se você cheirou cocaína ou lança-perfume.
- AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAA.. Não digo pra você.
(fiz uma aceno pro segurança)
- Não não calma, foi cachaça, muita kátia, sabes?
- Espera um pouco que eu vou indicar glicose pra você. Vomitou? Ô Chico, olha aqui a pressão dela pra mim?
- Ah, então você não sabe olhar pressão? Eu bem que achei que pela sua cara você não era médica!
- (auxiliar chegando ao meu socorro) Dra, elas normalmente são assim quando é mulher que atende..
- É, tô vendo que essa daí promete. Pressão 120 por 80? Tá ÓTIMA! Manda ela comer um chocolate e libera!
- (amiga que se aproxima com olhar de sofrimento) Dra, é que ela gastou todo o dinheiro no bloco.. Não tinha como a Sra. ajudar aqui?
- Certo, certo. Chico, me arruma uma seringa com agulha 23 e duas ampolas de glicose 50%?
E foi aí que aconteceu. A ébria maldita mordeu minha mão quando eu coloquei o acesso, quase me furando com o diacho da agulha também.
- Ah, aí é esculhambação. (aceno pra outro estagiário) Ei, você poderia assumir essa daqui pra mim?
Uns 10 minutos depois de deixar a bêbada maluca com meu amigo, volto ao local do crime para conferir se ele tinha obtido mais êxito do que eu. Quando me aproximo, deparo-me com a cena ridícula dela colocando os pés por cima dele e puxando o braço dele para o meio de suas pernas.
- Rapaz, olha a postura..
- Essa mulher tá maluca! Se eu não tentar segurá-la, ela sai chutando tudo, e quando eu seguro, ela tenta me agarrar!
- Vem cá branquinho, só um beijinho, vem..
- E eu, que levei uma mordida dela?
- EU TAMBÉM LEVEI! - e me mostrou uma marca arredondada no pescoço.
- Olha, assim não dá. Segurança, leva essa entidade pro mais longe possível daqui. Se é sexo que ela quer, não vai ser aqui que ela vai achar.
- (meu amigo olha pros dois lado e sussurra) Assim.. Se me liberarem um tempinho..
Eu lanço O olhar. Ele chama o segurança de novo. Minutos depois, o mesmo segurança aparece carregando a menina(que continuava me xingando e continuava abrindo as pernas freneticamente pra todo homem que cruzasse seu caminho) nos braços.
- Eu fiz o que a Sra. mandou.. Mas ela arrumou briga, rasgou a roupa.. mandaram trazer de novo pra cá..
- Deusdocéu, tem algum amigo dessa criatura que possa levá-la pra casa?
- Dra., é que ela acabou o namoro e ficou triste..
- E tá acabando com minha paciência também!(espressão de malinidade)Segurança, leva ela pro outro ambulatório, por favor? Diz que aqui tá lotado.
Quando ela finalmente foi embora, um outro auxiliar de enfermagem que estava observando a presepada toda me puxou para um canto e disse:
- Já tá aprendendo como se lida com esse tipo de paciente, né?
- E olha que hoje é só o primeiro dia de plantão..
- É.. Ela estava tendo um AVC..
- AVC? Tem certeza? AVC pode dar quadro de delírio, mas eu não vi nenhum sinal que indicasse..
- Não não, não é esse AVC. É outro tipo: Ânsia da Vagina Carente.
::::Eu me meto em cada uma.::::
Trabalhar em ambulatório de Fortal(nada contra os baianos, tudo contra a axé music e suas assonâncias e aliterações nauseantes)é experiência pra poucos.
Ontem, em meio a Plasils injetáveis e glicoses 50%, apareceu no ambulatório uma menina bonitinha, aparentemente de boa casta social, acompanhada de uma amiga e de um amigo.
- Pessoal, só pode entrar um acompanhante por vez.
- E você é quem?
- Estagiária de plantão, prazer. (indicando o crachá). Sua amiga só fez uso de álcool?
- Eu bebi tudo! Tudo! O que você botar aí eu bebi!
- E cheirou também?
- (Virando-se para a amiga ao lado)Essa loira tá perguntando se eu tô fedendo?
- Não, eu estou perguntando se você cheirou cocaína ou lança-perfume.
- AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAA.. Não digo pra você.
(fiz uma aceno pro segurança)
- Não não calma, foi cachaça, muita kátia, sabes?
- Espera um pouco que eu vou indicar glicose pra você. Vomitou? Ô Chico, olha aqui a pressão dela pra mim?
- Ah, então você não sabe olhar pressão? Eu bem que achei que pela sua cara você não era médica!
- (auxiliar chegando ao meu socorro) Dra, elas normalmente são assim quando é mulher que atende..
- É, tô vendo que essa daí promete. Pressão 120 por 80? Tá ÓTIMA! Manda ela comer um chocolate e libera!
- (amiga que se aproxima com olhar de sofrimento) Dra, é que ela gastou todo o dinheiro no bloco.. Não tinha como a Sra. ajudar aqui?
- Certo, certo. Chico, me arruma uma seringa com agulha 23 e duas ampolas de glicose 50%?
E foi aí que aconteceu. A ébria maldita mordeu minha mão quando eu coloquei o acesso, quase me furando com o diacho da agulha também.
- Ah, aí é esculhambação. (aceno pra outro estagiário) Ei, você poderia assumir essa daqui pra mim?
Uns 10 minutos depois de deixar a bêbada maluca com meu amigo, volto ao local do crime para conferir se ele tinha obtido mais êxito do que eu. Quando me aproximo, deparo-me com a cena ridícula dela colocando os pés por cima dele e puxando o braço dele para o meio de suas pernas.
- Rapaz, olha a postura..
- Essa mulher tá maluca! Se eu não tentar segurá-la, ela sai chutando tudo, e quando eu seguro, ela tenta me agarrar!
- Vem cá branquinho, só um beijinho, vem..
- E eu, que levei uma mordida dela?
- EU TAMBÉM LEVEI! - e me mostrou uma marca arredondada no pescoço.
- Olha, assim não dá. Segurança, leva essa entidade pro mais longe possível daqui. Se é sexo que ela quer, não vai ser aqui que ela vai achar.
- (meu amigo olha pros dois lado e sussurra) Assim.. Se me liberarem um tempinho..
Eu lanço O olhar. Ele chama o segurança de novo. Minutos depois, o mesmo segurança aparece carregando a menina(que continuava me xingando e continuava abrindo as pernas freneticamente pra todo homem que cruzasse seu caminho) nos braços.
- Eu fiz o que a Sra. mandou.. Mas ela arrumou briga, rasgou a roupa.. mandaram trazer de novo pra cá..
- Deusdocéu, tem algum amigo dessa criatura que possa levá-la pra casa?
- Dra., é que ela acabou o namoro e ficou triste..
- E tá acabando com minha paciência também!(espressão de malinidade)Segurança, leva ela pro outro ambulatório, por favor? Diz que aqui tá lotado.
Quando ela finalmente foi embora, um outro auxiliar de enfermagem que estava observando a presepada toda me puxou para um canto e disse:
- Já tá aprendendo como se lida com esse tipo de paciente, né?
- E olha que hoje é só o primeiro dia de plantão..
- É.. Ela estava tendo um AVC..
- AVC? Tem certeza? AVC pode dar quadro de delírio, mas eu não vi nenhum sinal que indicasse..
- Não não, não é esse AVC. É outro tipo: Ânsia da Vagina Carente.
::::Eu me meto em cada uma.::::
sábado, julho 18, 2009
Prenez soin de vous
Mes chéries amies,
aos leitores que moram em Sampa, por favor visitem por mim a exposição da artista plástica Sophie Calle,"Prenez soin de vous"(tradução : cuide-se.), em que a artista, no maior estilo "fazer do limão uma limonada", planejou toda uma exposição a partir de um e-mail que um ex-namorado mandara para ela e cuja última frase era "cuide-se".
Para os interessados no conteúdo da carta, ei-la em francês.
Arrasada com a forma fria como o ex-namorado terminara com ela, Sophie repassou o e-mail para mais de 100 pessoas, entre elas criminalistas, amigas, atrizes, dramaturgos, palhaços, psiquiatras, filósofas, uma criança de 9 anos de idade, uma professora de gramática..
Enfim, qualquer pessoa que pudesse lhe explicar verbalmente o que só se possui percepção emocionalmente. Parabéns àqueles que conseguem definir em palavras o real o sentido da palavra 'sofrimento', n'est pas?
Nessa amostra, há vídeos dos leitores das cartas comentando seu contéudo, além de fotos ilustrando a reação das pessoas ao lê-la.
Isso me lembrou de um texto bem interessante que eu li no Victor, que dizia o seguinte:
A capacidade de esquecer é o que existe de mais precioso sobre a face da terra, sob as nossas faces. Amar é indubitavelmente mais magnânimo, mas não é tão essencial quanto o esquecimento: é ele que nos mantém vivos. O amor torna a paisagem mais bonita, mas é o bálsamo curativo do esquecimento que nos faz ter vontade de abrir os olhos para vê-la. A paixão empresta um sentido quase mítico aos dias, mas é esquecer da excruciante tristeza perante a morte dela que nos torna aptos para nos encantarmos novamente dali a pouco.
Já esqueci amores inesquecíveis e sobrevivi a paixões que, tinha convicção, me aniquilariam se terminassem. Às vezes cruzo na rua com fantasmas que já foram muito vivos na minha história e não deixo de sentir uma certa melancolia por perceber que aquele rosto um dia pleno de significado se tornou tão relevante quanto um outdoor de pasta de dente. Algumas pessoas são apagadas da memória como filmes desimportantes. Sem maldade o intenção; apenas esmaecem até desaparecer. Mas é mesmo impossível nos lembrar de todos os que passaram por nós: gente demais, espaço de menos. Da mesma forma que minha história está repleta de coadjuvantes e figurantes que, irrefletidamente, se auto-proclamavam protagonistas, eu devo ser a personagem cômica da história de alguém. Ninguém se esquiva da experiência constrangedora de bancar o bobo da corte no reino de outro.
Mas esse oco de significado não vem sem um certo pesar. É ruim notar que já não dizemos praticamente nada para quem importou tanto. Na verdade é dolorido ser olvidado: não é fácil encarar que não somos insubstituíveis e que nossa saída displicente abre uma possibilidade de entrada tão desejada por outros. Mas só nos desenroscamos e seguimos nosso rumo natural, em frente, quando eliminamos alguns seres que, caso contrário, nos prenderiam aos emaranhantes aguapés de recordações.
"Há pessoas que ficam doendo com a lembrança de outra pessoa, entra ano, sai ano, virando e revirando o caleidoscópio, olhando como caem e de dispõe as cores e os cristais do sofrimento" (Paulo Mendes Campos).
O passado deve ser mantido no lugar dele e não trazido nas costas feito mochila de viajante, lotado com os erros cometidos e alegrias jamais revividas. Para ser feliz é necessário pouca coisa além se livrar do excesso de carga e esquecer as coisas certas. É útil também jamais perder de vista um detalhe, afixá-lo no espelho do banheiro, repetir como um mantra: absolutamente nada é pra sempre, nem sentimentos que parecem ser. Nunca mais haverá amor como aquele? Ótimo, porque o novo é tão imenso que seria um desperdício se algo se repetisse.
Todo mundo passa. E é bom que seja assim.
Bem, nós temos de aprender a rir, caso contrário, vamos nos matar de chorar.

::::Cuidem-se.::::
Mes chéries amies,
aos leitores que moram em Sampa, por favor visitem por mim a exposição da artista plástica Sophie Calle,"Prenez soin de vous"(tradução : cuide-se.), em que a artista, no maior estilo "fazer do limão uma limonada", planejou toda uma exposição a partir de um e-mail que um ex-namorado mandara para ela e cuja última frase era "cuide-se".
Para os interessados no conteúdo da carta, ei-la em francês.
Arrasada com a forma fria como o ex-namorado terminara com ela, Sophie repassou o e-mail para mais de 100 pessoas, entre elas criminalistas, amigas, atrizes, dramaturgos, palhaços, psiquiatras, filósofas, uma criança de 9 anos de idade, uma professora de gramática..
Enfim, qualquer pessoa que pudesse lhe explicar verbalmente o que só se possui percepção emocionalmente. Parabéns àqueles que conseguem definir em palavras o real o sentido da palavra 'sofrimento', n'est pas?
Nessa amostra, há vídeos dos leitores das cartas comentando seu contéudo, além de fotos ilustrando a reação das pessoas ao lê-la.
Isso me lembrou de um texto bem interessante que eu li no Victor, que dizia o seguinte:
A capacidade de esquecer é o que existe de mais precioso sobre a face da terra, sob as nossas faces. Amar é indubitavelmente mais magnânimo, mas não é tão essencial quanto o esquecimento: é ele que nos mantém vivos. O amor torna a paisagem mais bonita, mas é o bálsamo curativo do esquecimento que nos faz ter vontade de abrir os olhos para vê-la. A paixão empresta um sentido quase mítico aos dias, mas é esquecer da excruciante tristeza perante a morte dela que nos torna aptos para nos encantarmos novamente dali a pouco.
Já esqueci amores inesquecíveis e sobrevivi a paixões que, tinha convicção, me aniquilariam se terminassem. Às vezes cruzo na rua com fantasmas que já foram muito vivos na minha história e não deixo de sentir uma certa melancolia por perceber que aquele rosto um dia pleno de significado se tornou tão relevante quanto um outdoor de pasta de dente. Algumas pessoas são apagadas da memória como filmes desimportantes. Sem maldade o intenção; apenas esmaecem até desaparecer. Mas é mesmo impossível nos lembrar de todos os que passaram por nós: gente demais, espaço de menos. Da mesma forma que minha história está repleta de coadjuvantes e figurantes que, irrefletidamente, se auto-proclamavam protagonistas, eu devo ser a personagem cômica da história de alguém. Ninguém se esquiva da experiência constrangedora de bancar o bobo da corte no reino de outro.
Mas esse oco de significado não vem sem um certo pesar. É ruim notar que já não dizemos praticamente nada para quem importou tanto. Na verdade é dolorido ser olvidado: não é fácil encarar que não somos insubstituíveis e que nossa saída displicente abre uma possibilidade de entrada tão desejada por outros. Mas só nos desenroscamos e seguimos nosso rumo natural, em frente, quando eliminamos alguns seres que, caso contrário, nos prenderiam aos emaranhantes aguapés de recordações.
"Há pessoas que ficam doendo com a lembrança de outra pessoa, entra ano, sai ano, virando e revirando o caleidoscópio, olhando como caem e de dispõe as cores e os cristais do sofrimento" (Paulo Mendes Campos).
O passado deve ser mantido no lugar dele e não trazido nas costas feito mochila de viajante, lotado com os erros cometidos e alegrias jamais revividas. Para ser feliz é necessário pouca coisa além se livrar do excesso de carga e esquecer as coisas certas. É útil também jamais perder de vista um detalhe, afixá-lo no espelho do banheiro, repetir como um mantra: absolutamente nada é pra sempre, nem sentimentos que parecem ser. Nunca mais haverá amor como aquele? Ótimo, porque o novo é tão imenso que seria um desperdício se algo se repetisse.
Todo mundo passa. E é bom que seja assim.
Bem, nós temos de aprender a rir, caso contrário, vamos nos matar de chorar.
::::Cuidem-se.::::
terça-feira, julho 14, 2009
Comentário atrasado
...mas essa morte do negão Jackson me lembrou de uma maldade que eu aprontei com um maluco da minha turma na época de cursinho.
Esse rapaz era comunista-revolucionário-alienado radical, desses que andam de boina e camisa féxion do Che Guevara comprada na C&A. Ele sempre sentava numa carteira no cantinho da sala, e nessa carteira ela escrevia as maiores utopias possíveis no estilo "a juventude dá as cartas mas os geriatras as escolhem" ou "prefiro morrer por um ideal do que fenecer perante ambições irreais" e, entre tais pérolas, ele escreveu nomes como "Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes, o mártir", "Che Guevara, o valente", "Luis Inácio Lula, futuro presidente do Brasil" (MALDITO PROFETA!)e por aí vai.
Rachel de Queiroz dizia o seguinte sobre o comunismo:
Se até os 20 anos de idade você não se comoveu com o ideal comunista, você é uma criatura sem coração; se após os 20 anos você continua insistindo no comunismo, você é uma criatura sem cérebro, ou seja, você é um ABESTADO.
Bem, naquele tempo, esse rapaz tinha 21 anos.
Certo dia, o tal abestado faltou a aula e eu tive o azar de só me sobrar a carteira dele para sentar. Observando o mural marxista que nosso amigo desenhou sobre a mesa da carteira, tive a brilhante idéia de adicionar nomes como "Michael Jackson, aquele que foi black e agora é white", "Inri Christo, porque se ele é Deus, ele é", "Roberta Close, todo tempo é tempo de mudanças de sexo", "Jr da Sandy, guerrilheiro da negação", "Sarney, ABL minhas nádegas" e outras contribuições as quais não me recordo no momento.
No dia seguinte, ao chegar na sala e constatar tais adições ao seu mural, o menino-rebelde pirou, ocorrendo até tapa entre ele e um playboy capitalista que vivia criticando publicamente a ideologia da minha vítima, ops, do meu colega de sala.
A boa notícia?
Ninguém desconfiou de mim.
Onde já se viu mulher bonitinha, fofinha puti puti nhonhonhon armar esse tipo de coisa, rapaz?
WHO'S BAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAD!!!
...mas essa morte do negão Jackson me lembrou de uma maldade que eu aprontei com um maluco da minha turma na época de cursinho.
Esse rapaz era comunista-revolucionário-alienado radical, desses que andam de boina e camisa féxion do Che Guevara comprada na C&A. Ele sempre sentava numa carteira no cantinho da sala, e nessa carteira ela escrevia as maiores utopias possíveis no estilo "a juventude dá as cartas mas os geriatras as escolhem" ou "prefiro morrer por um ideal do que fenecer perante ambições irreais" e, entre tais pérolas, ele escreveu nomes como "Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes, o mártir", "Che Guevara, o valente", "Luis Inácio Lula, futuro presidente do Brasil" (MALDITO PROFETA!)e por aí vai.
Rachel de Queiroz dizia o seguinte sobre o comunismo:
Se até os 20 anos de idade você não se comoveu com o ideal comunista, você é uma criatura sem coração; se após os 20 anos você continua insistindo no comunismo, você é uma criatura sem cérebro, ou seja, você é um ABESTADO.
Bem, naquele tempo, esse rapaz tinha 21 anos.
Certo dia, o tal abestado faltou a aula e eu tive o azar de só me sobrar a carteira dele para sentar. Observando o mural marxista que nosso amigo desenhou sobre a mesa da carteira, tive a brilhante idéia de adicionar nomes como "Michael Jackson, aquele que foi black e agora é white", "Inri Christo, porque se ele é Deus, ele é", "Roberta Close, todo tempo é tempo de mudanças de sexo", "Jr da Sandy, guerrilheiro da negação", "Sarney, ABL minhas nádegas" e outras contribuições as quais não me recordo no momento.
No dia seguinte, ao chegar na sala e constatar tais adições ao seu mural, o menino-rebelde pirou, ocorrendo até tapa entre ele e um playboy capitalista que vivia criticando publicamente a ideologia da minha vítima, ops, do meu colega de sala.
A boa notícia?
Ninguém desconfiou de mim.
Onde já se viu mulher bonitinha, fofinha puti puti nhonhonhon armar esse tipo de coisa, rapaz?
WHO'S BAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAD!!!
Assinar:
Postagens (Atom)