...mas eu tive uma crise de riso da primeira vez que assisti isso.
terça-feira, dezembro 30, 2008
quarta-feira, dezembro 24, 2008

Ah, pseudo-férias.
Dia 5 de janeiro vou ter de fazer um mmaldito curso de Urgência&Emergência não-obrigatório-mas-obrigatório que custou a bagatela de R$200,00 mediado pela minha querida faculdade capitalista. Resumindo: os planos de um Reveillon e de um Carnaval luxuosos findaram-se tão logo mamãe assinou o cheque de pagamento do bendito curso e me lançou o olhar de "alguém vai ter de pagar por isso, e adivinha só, vai ser você."
Mas querem saber? Não vou guardar ódio, rancor, mágoa&derivações, não. Cheguei num estado de tamanha felicidade por finalmente passar o dia inteiro dormindo e me sonhando 10kg mais magra, cabelos ao vento e com a visão do mediterrâneo de Nice-França à minha frente que as demais vicissitudes são meros detalhes. (creio que há certos momentos em nossas vidas em que só a permissão de sonhar já é uma dádiva.)
E hoje, qual vai ser a festa de família que vocês vão ser obrigados a ir? Teoricamente, eu devo ir para a casa de minha avó paterna construída no ano de 1900(a casa, não a avó. Se bem que ela nasceu nesse período, salvo engano)escutar meus tios desculparem-se por não terem lembrado de me trazer um presente(todo ano, ironicamente, eles o esquecem em casa, segundo eles - o detalhe é que nunca se lembraram de me entregá-lo depois), perguntarem pela genialidade que é meu irmão(e, consequentemente, lamentarem o fato de eu não ter nascido um gênio como ele)e, finalmente, lançarem a pergunta-mestra "mas minha filha, me diga, quando é que você pretende se casar, hein?". A resposta continua sendo a mesma de todos os outros anos. "Nunca, tio, esqueceu que eu sou lésbica?" e a contra-resposta "Mas você não tinha um namorado?" e o 'fatality' "É, é bom experimentar outras coisas, às vezes."
Gah.
Sinceramente, fiquei cansada só de me lembrar disso.
Creio que meu Natal vai ser à base de um Dramim com Coca-Cola e um bom sonho com o mediterrâneo de Nice.
Feliz Natal para vocês, queridos leitores.
quarta-feira, dezembro 03, 2008
É tão ruim que é bom.
Queridos leitores remanescentes do blog, algum de vocês já chegou a ler o livro Twilight - cuja tradução em português seria "O Crepúsculo"? Essa série literária, creditada por alguns como a nova substituta de leitura fantasiosa para os fãzinhos indóceis de Harry Potter, trata-se do amor impossível entre um vampiro bonitãozão e uma mocinha inocente.
(Eu sei, eu sei, história antiga.)
Para aqueles que ainda não a conhecem(e, gostem ou não disso, vocês iriam acabar conhecendo mesmo se não fosse por mim)eis o trailer mamão-com-açúcar do filme inspirado no primeiro livro:
Nos EUA, onde a Twilight FEVER já está bem disseminada, existem duas opiniões absolutas sobre o filme: os que o idolatram e os que o abominam com toda a força das suas entranhas intestinais.
Minha opinião sobre isso? Bem, essa história trata, em linhas simbólicas, da eterna mania das mentes desiludidas de se apaixonarem pela pessoa errada, seja isso devido à falta de amor próprio,ao excesso de burrice ou ao puro sadomasoquismo. Mas ora, que levante a mão quem nunca insistiu no erro mesmo enxergando o lógico? E, gostemos ou não, por mais que a gente queira, insista, arranque os cabelos, se rasgue todinho, essas histórias nunca dão certo. Mais tempo ou menos tempo, elas sempre acabam, não é mesmo?
Finalizando, vou copiar descaradamente(pra variar) um trecho de um post do meu nipônico preferido:

Sabe… às vezes, tentamos prever o futuro.
Acho que a causa de boa parte do nosso sofrimento está aí. Sofremos pelo que desconhecemos.
Mas…
Será que, se hoje, você pudesse conhecer o que virá, você saberia o que escolher ?
Acho que nao.
Para quê procurar prever o comportamento das pessoas? Para quê buscar justificativas para o que sentimos a partir do que o outro sente?
É dessa forma que metemos os pés pelas mãos e sofremos e caímos em situações indesejadas.
O Fato é:
Na vida, só podemos nos segurar [e confiar] naquilo que sabemos sentir e intuir. [sendo assim, percebi que o primeiro passo é discernir o trigo do joio... saber a quem escutamos... a quem buscamos agradar...]
O resto é consequência.
Figura e texto copiado daqui que, por sua vez, copiou daqui.
Queridos leitores remanescentes do blog, algum de vocês já chegou a ler o livro Twilight - cuja tradução em português seria "O Crepúsculo"? Essa série literária, creditada por alguns como a nova substituta de leitura fantasiosa para os fãzinhos indóceis de Harry Potter, trata-se do amor impossível entre um vampiro bonitãozão e uma mocinha inocente.
(Eu sei, eu sei, história antiga.)
Para aqueles que ainda não a conhecem(e, gostem ou não disso, vocês iriam acabar conhecendo mesmo se não fosse por mim)eis o trailer mamão-com-açúcar do filme inspirado no primeiro livro:
Nos EUA, onde a Twilight FEVER já está bem disseminada, existem duas opiniões absolutas sobre o filme: os que o idolatram e os que o abominam com toda a força das suas entranhas intestinais.
Minha opinião sobre isso? Bem, essa história trata, em linhas simbólicas, da eterna mania das mentes desiludidas de se apaixonarem pela pessoa errada, seja isso devido à falta de amor próprio,ao excesso de burrice ou ao puro sadomasoquismo. Mas ora, que levante a mão quem nunca insistiu no erro mesmo enxergando o lógico? E, gostemos ou não, por mais que a gente queira, insista, arranque os cabelos, se rasgue todinho, essas histórias nunca dão certo. Mais tempo ou menos tempo, elas sempre acabam, não é mesmo?
Finalizando, vou copiar descaradamente(pra variar) um trecho de um post do meu nipônico preferido:

Sabe… às vezes, tentamos prever o futuro.
Acho que a causa de boa parte do nosso sofrimento está aí. Sofremos pelo que desconhecemos.
Mas…
Será que, se hoje, você pudesse conhecer o que virá, você saberia o que escolher ?
Acho que nao.
Para quê procurar prever o comportamento das pessoas? Para quê buscar justificativas para o que sentimos a partir do que o outro sente?
É dessa forma que metemos os pés pelas mãos e sofremos e caímos em situações indesejadas.
O Fato é:
Na vida, só podemos nos segurar [e confiar] naquilo que sabemos sentir e intuir. [sendo assim, percebi que o primeiro passo é discernir o trigo do joio... saber a quem escutamos... a quem buscamos agradar...]
O resto é consequência.
Figura e texto copiado daqui que, por sua vez, copiou daqui.
domingo, outubro 12, 2008
Voltamos pro ano de 1999, poha?!
Num domingo bosta pré-prova do módulo de Pediatria(e eu juro que da próxima vez que uma criança catarrenta berrar na minha cara quando eu pedir pra ela fazer "aaah" pra tia examinar as amídalas dela com a palheta rósea do ursinho Pooh que o SUS dá pros pediatras "distraírem" as crianças, eu enfio essa palheta na bunda dela pra ela ter um motivo REAL pra chorar), aparece-me isso tal como uma previsão de que a prova de amanhã vai ser, realmente, uma bomba:
clicam aqui
Womanizer? Maquiagem? Peruquinha? Nem vem!!! EU LEMBRO DE COMO VOCÊ FICA AL NATURAL, mma felha!
Para aqueles que não lembram:

Essa nunca fica velha.

deusdocéu.

eeeeeeeicchhh.

ta ta ta, já deu.
extra datada dessa semana:

É que prestobarba tá caro no mercado.
Opinião da igualmente baranga Christina AiqueEca:

Concordo!
Num domingo bosta pré-prova do módulo de Pediatria(e eu juro que da próxima vez que uma criança catarrenta berrar na minha cara quando eu pedir pra ela fazer "aaah" pra tia examinar as amídalas dela com a palheta rósea do ursinho Pooh que o SUS dá pros pediatras "distraírem" as crianças, eu enfio essa palheta na bunda dela pra ela ter um motivo REAL pra chorar), aparece-me isso tal como uma previsão de que a prova de amanhã vai ser, realmente, uma bomba:
clicam aqui
Womanizer? Maquiagem? Peruquinha? Nem vem!!! EU LEMBRO DE COMO VOCÊ FICA AL NATURAL, mma felha!
Para aqueles que não lembram:

Essa nunca fica velha.

deusdocéu.

eeeeeeeicchhh.

ta ta ta, já deu.
extra datada dessa semana:

É que prestobarba tá caro no mercado.
Opinião da igualmente baranga Christina AiqueEca:

Concordo!
sexta-feira, outubro 10, 2008
"Compreendeu que fazia parte dos fracos, do lado dos fracos, do país dos fracos, e que deveria ser fiel a eles, justamente porque eram fracos e procuravam recobrar o fôlego entre as frases. Sentia-se atraída por essa fraqueza como por uma vertigem. Sentia-se atraída porque ela mesma se sentia fraca."
"Eu poderia dizer que a vertigem é a embriaguez causada pela nossa própria fraqueza. Temos consciência da nossa própria fraqueza mas não queremos resistir a ela e nos abandonar. Embriagamo-nos com nossa própria fraqueza, queremos ser mais fracos ainda, queremos desabar em plena rua, à vista de todos, queremos estar no chão, ainda mais baixo que o chão.
- O que é que você está sentindo?
- Nada.
- O que é que eu posso fazer por você?
- Quero que você fique velho. Dez anos mais velho. Vinte anos mais velho!
Com isso, queria dizer: quero que você fique fraco. Que você seja tão fraco quanto eu."
Trechos do livro A insustentável leveza do ser
* e quanto à continuação das histórias sobre as entidades que coabitam comigo na faculdade, fica "pra depois" de novo..
"Eu poderia dizer que a vertigem é a embriaguez causada pela nossa própria fraqueza. Temos consciência da nossa própria fraqueza mas não queremos resistir a ela e nos abandonar. Embriagamo-nos com nossa própria fraqueza, queremos ser mais fracos ainda, queremos desabar em plena rua, à vista de todos, queremos estar no chão, ainda mais baixo que o chão.
- O que é que você está sentindo?
- Nada.
- O que é que eu posso fazer por você?
- Quero que você fique velho. Dez anos mais velho. Vinte anos mais velho!
Com isso, queria dizer: quero que você fique fraco. Que você seja tão fraco quanto eu."
Trechos do livro A insustentável leveza do ser
* e quanto à continuação das histórias sobre as entidades que coabitam comigo na faculdade, fica "pra depois" de novo..
quarta-feira, outubro 08, 2008
Certa vez, um ambicioso e um invejoso perderam-se no deserto.
Após vários dias de caminhada sem água e sem comida,
encontraram uma arca.
Ao abrirem a arca, um gênio mágico disse-lhes:
- Vocês só têm direito a um desejo. O que um pedir,
darei ao outro em dobro.
Sem pensar duas vezes, o ambicioso empurrou o invejoso e disse:
- Ele quem vai pedir!
O invejoso, furioso com a esperteza do ambicioso,
refletiu por um instante e,
após um sorriso maquiavélico, respondeu ao gênio:
- Cega-me um dos olhos.
Honestamente, o ser humano me assusta.
Aliás, complementando o pensamento, a capacidade do ser humano em ser terrível me assusta.
Nessa faculdade que tanto penei para ingressar, como bem devem lembrar os leitores mais antigos do blog, existem certas entidades que, se não me dão medo, dão-me pena. E nojo, um pouco de nojo também. Contudo, penso que, muito provavelmente, se eu tivesse ingressado em qualquer outro curso, também conheceria outras entidades que me causariam sentimento de medo,de pena e de nojo. (creio que o diferencial da minha faculdade é o terrível fato dela ser integral – períodos da manhã e da tarde, e, às vezes,até da noite - e de existirem as intermináveis sessões de discussão de casos clínicos, em que um grupo de 9 pessoas tem de passar 1 semestre tendo duas reuniões semanais que podem durar horas a fio para discutir determinadas enfermidades)
Apresentando-lhes alguns dos personagens com quem eu tenho de conviver todos os dias:
Anail F*. é psicopata. Ei, sério, ela é psicopata mesmo. Durante as sessões de casos clínicos, se ela perceber que algum dos seus colegas de classe não está dominando muito bem o assunto discutido, ela começa a questioná-lo para que o professor perceba que ele não estudou a matéria a fundo. Anail F. só participa das discussões com seu caderno repleto de anotações em cima da mesa, e quando algum colega começa a se destacar positivamente em determinado assunto de uma enfermidade, ela diz “mas você não falou isso e isso e isso e isso e isso.”.(o detalhe que o colega falou o que sabia de cabeça e o que ela falou foi lido de suas anotações é só um detalhe.) Certa vez, Anail F. percebeu que um colega se confundira em determinado assunto e o professor não havia percebido. Desesperada, ela disse:
- Professor, professor, ele errou, tira ponto dele!
O sonho de Anail F. é ser primeiro lugar da sala. Infelizmente, sem seu caderno de anotações, Anail F. é incapaz de diferenciar um sarampo de uma catapora.
Problemas com a Boo? Adivinhem!
Anail F. me detesta porque eu passei numa monitoria em que ela não passou. O que para alguns não é nada, para Anail F. é motivo de ódio e rancor eternos.
Certa vez, logo após Anail F. ter-lhe interrompido com sua verborragia do caderninho de anotações da Bela Adormecida, Boo disse:
- Pessoal, olha a falta de educação, é preciso deixar cada um ter a sua vez... (até porque pescar no caderno fica fácil até pra uma criança que acabou de aprender a ler)
O que Anail F. respondeu?
- É verdade, professor, as pessoas precisam se tocar,isso é muito chato!
O que a Boo respondeu?
- Anail, eu ainda não terminei de falar, dá licença?
Anail F. possui uma paixão reprimida pela próxima entidade que eu vou lhes apresentar.
Mas só depois, porque, falando em sessão de casos clínicos, tenho de estudar para a de amanhã, senão a Anail vai fazer questão de mostrar ao professor que eu não estudei tudo..
*nome fictício, claro.
sexta-feira, agosto 22, 2008
C´est classique!
Se voce deseja meu grande amor querer me encontar
Tome meu cartao que é só voce me telefonar
Me telefone amor, telefone
Quero matar minha sede e abraçar seu corpo
Quero beijar sua boca e morder sua lingua alisarei seu rosto
Vou te lamber todinha meu amor, vou te lamber todinha
Eu quero ser seu gato e ela ser a minha gatinha
Na hora de fazer amor os meus olhos brilham e sua boca mia
Pra ela eu sou seu gatinho angorá
Ela mia de lá e eu mio de ca
eu digo "me dá" e ela diz "não dou"
E quando eu insisto ela quer brigar
É que suas unhas são tão venenosas
Que podem ate parar meu coração
Vem minha gatinha venha meu amor venha minha amada
Vamos fazer amor em cima da casa
Ouça minha voz ouça minha voz
O telhado é forte, o telhado é de laje e aguenta com nois
Eu sou seu gatinho amor
Pois ate na lei dos animais é assim
A gata diz que nao quer o gato
Mas no fundo ela vem me querer
Porque eu
Vou te lamber todinha meu amor, vou te lamber todinha
Eu quero ser seu gato e ela ser a minha gatinha
Cantar no batente da porta do ônibus é pra poucos, viu.
Ausente demais? É, eu sei, amigos. Até eu tenho sentido saudades de mim, às vezes.
Se voce deseja meu grande amor querer me encontar
Tome meu cartao que é só voce me telefonar
Me telefone amor, telefone
Quero matar minha sede e abraçar seu corpo
Quero beijar sua boca e morder sua lingua alisarei seu rosto
Vou te lamber todinha meu amor, vou te lamber todinha
Eu quero ser seu gato e ela ser a minha gatinha
Na hora de fazer amor os meus olhos brilham e sua boca mia
Pra ela eu sou seu gatinho angorá
Ela mia de lá e eu mio de ca
eu digo "me dá" e ela diz "não dou"
E quando eu insisto ela quer brigar
É que suas unhas são tão venenosas
Que podem ate parar meu coração
Vem minha gatinha venha meu amor venha minha amada
Vamos fazer amor em cima da casa
Ouça minha voz ouça minha voz
O telhado é forte, o telhado é de laje e aguenta com nois
Eu sou seu gatinho amor
Pois ate na lei dos animais é assim
A gata diz que nao quer o gato
Mas no fundo ela vem me querer
Porque eu
Vou te lamber todinha meu amor, vou te lamber todinha
Eu quero ser seu gato e ela ser a minha gatinha
Cantar no batente da porta do ônibus é pra poucos, viu.
Ausente demais? É, eu sei, amigos. Até eu tenho sentido saudades de mim, às vezes.
sexta-feira, junho 27, 2008
copiando descaradamente daqui
Há quem diga que existem dois tipos de pessoas: as que dividem todo o mundo em dois tipos de pessoas e as outras. E foi ontem que descobri pertencer ao primeiro grupo. Não se deixe enganar com a aparente comicidade da afirmação: nada pode ser mais sério. Sim, eu, o antimaniqueísta, sou, no fundo, um maniqueísta!
Era meia-noite, a hora que, para Allan Poe, apavora. Estávamos numa boate jogando bilhar. E o que pode ser mais inocente que jogar bilhar com amigos? Pois bem: uma garota, cheia de malícia e malevolência,
se aproxima de mim e dispara: "Quem é o teu amigo?". Ora, eu estava com uns dez amigos e mais uns conhecidos e, confuso, revidei: "Mas qual deles?". Ela: "Esse!". E apontava com o indicador, movimentando-o rente a mesa, quase tirando as bolas da posição. Ora, era o irmão de um grande amigo meu. Recém-noivo. Gente finíssima. Eu, pensando que nada poderia sair do encontro da malícia com o compromissado e, preocupado com a integridade do jogo que eu finalmente vencia, não tardei em aproximá-los. Cinco minutos e o jogo acabou -- perdi! Olhei de relance: o papo entre eles corria solto, com gargalhadas infinitas e cochichos igualmente longos. Me aproximei dele e falei: "Você tá com uma aliança no dedo!" E ele, me dando ombros: "E o que tem a ver?" Ora, para mim, tem tudo: se ele ama a noiva aquilo era o adultério com banda, bebidas e convidados.
Depois de uma meia hora, a amiga da malevolência (não havia dito? Que seja: ela tinha uma amiga) começa a me olhar. Depois de varrer a boate com os olhos infinitas vezes, dançar sozinha, ir ao banheiro umas três vezes, a amiga, súbita e supostamente, se interessa por mim. Meu amigo fala: "Ela tá de rolo, mas tem nada não. Chega, chega!" E, ato contínuo, beija a malícia.
E foi aí que entendi. Há dois tipos de pessoas: as que procuram recompensas imediatas, e as que se irritam por nunca ter recompensas. Agindo sob a vigilância de uma suposta moral, nunca me permito passar por cima dos outros; nem mesmo de rolos. E, sobretudo: não quero sobras. Ela, depois de observar toda a boate e ver que não havia nada... bem, havia eu.
Fiquei somente com a certeza de ter descoberto um dos problemas de nosso mundo -- e do cristianismo: para os quem anseiam ter um mínimo de princípios, não há retorno, não há recompensas. "Tu é muito besta, doido." disse-me ele, pouco antes que eu fosse embora. É, sou mesmo.
Sabem aqueles amigos que a gente se orgulha em ter? Eis um deles.
(e eu sou uma besta, também, emidiósporo.)
IDEALISMO [Augusto dos Anjos]
Falas de amor, e eu ouço tudo e calo!
O amor da Humanidade é uma mentira.
É. E é por isto que na minha lira
De amores fúteis poucas vezes falo.
O amor! Quando virei por fim a amá-lo?!
Quando, se o amor que a Humanidade inspira
É o amor do sibarita e da hetaíra,
De Messalina e de Sardanapalo?!
Pois é mister que, para o amor sagrado,
O mundo fique imaterializado
— Alavanca desviada do seu fulcro —
E haja só amizade verdadeira
Duma caveira para outra caveira,
Do meu sepulcro para o teu sepulcro?!
Há quem diga que existem dois tipos de pessoas: as que dividem todo o mundo em dois tipos de pessoas e as outras. E foi ontem que descobri pertencer ao primeiro grupo. Não se deixe enganar com a aparente comicidade da afirmação: nada pode ser mais sério. Sim, eu, o antimaniqueísta, sou, no fundo, um maniqueísta!
Era meia-noite, a hora que, para Allan Poe, apavora. Estávamos numa boate jogando bilhar. E o que pode ser mais inocente que jogar bilhar com amigos? Pois bem: uma garota, cheia de malícia e malevolência,
se aproxima de mim e dispara: "Quem é o teu amigo?". Ora, eu estava com uns dez amigos e mais uns conhecidos e, confuso, revidei: "Mas qual deles?". Ela: "Esse!". E apontava com o indicador, movimentando-o rente a mesa, quase tirando as bolas da posição. Ora, era o irmão de um grande amigo meu. Recém-noivo. Gente finíssima. Eu, pensando que nada poderia sair do encontro da malícia com o compromissado e, preocupado com a integridade do jogo que eu finalmente vencia, não tardei em aproximá-los. Cinco minutos e o jogo acabou -- perdi! Olhei de relance: o papo entre eles corria solto, com gargalhadas infinitas e cochichos igualmente longos. Me aproximei dele e falei: "Você tá com uma aliança no dedo!" E ele, me dando ombros: "E o que tem a ver?" Ora, para mim, tem tudo: se ele ama a noiva aquilo era o adultério com banda, bebidas e convidados.
Depois de uma meia hora, a amiga da malevolência (não havia dito? Que seja: ela tinha uma amiga) começa a me olhar. Depois de varrer a boate com os olhos infinitas vezes, dançar sozinha, ir ao banheiro umas três vezes, a amiga, súbita e supostamente, se interessa por mim. Meu amigo fala: "Ela tá de rolo, mas tem nada não. Chega, chega!" E, ato contínuo, beija a malícia.
E foi aí que entendi. Há dois tipos de pessoas: as que procuram recompensas imediatas, e as que se irritam por nunca ter recompensas. Agindo sob a vigilância de uma suposta moral, nunca me permito passar por cima dos outros; nem mesmo de rolos. E, sobretudo: não quero sobras. Ela, depois de observar toda a boate e ver que não havia nada... bem, havia eu.
Fiquei somente com a certeza de ter descoberto um dos problemas de nosso mundo -- e do cristianismo: para os quem anseiam ter um mínimo de princípios, não há retorno, não há recompensas. "Tu é muito besta, doido." disse-me ele, pouco antes que eu fosse embora. É, sou mesmo.
Sabem aqueles amigos que a gente se orgulha em ter? Eis um deles.
(e eu sou uma besta, também, emidiósporo.)
IDEALISMO [Augusto dos Anjos]
Falas de amor, e eu ouço tudo e calo!
O amor da Humanidade é uma mentira.
É. E é por isto que na minha lira
De amores fúteis poucas vezes falo.
O amor! Quando virei por fim a amá-lo?!
Quando, se o amor que a Humanidade inspira
É o amor do sibarita e da hetaíra,
De Messalina e de Sardanapalo?!
Pois é mister que, para o amor sagrado,
O mundo fique imaterializado
— Alavanca desviada do seu fulcro —
E haja só amizade verdadeira
Duma caveira para outra caveira,
Do meu sepulcro para o teu sepulcro?!
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