Dizem que os três pilares necessários para a existência da paixão são os seguintes: admiração, esperança e um pouco de insegurança.
Dirigir a palavra a alguém que já fora o instrumento do seu afeto num ambiente de trabalho e essa pessoa te olhar nos olhos e virar o rosto como se fingisse que você não existisse, sequer respeitando a presença de uma autoridade à frente de vocês, fez-me agradecer a Deus por me dar um sinal para seguir em frente conforme eu havia pedido. Findaram-se a admiração, a esperança e a insegurança de ter feito a escolha errada.
Educação, pessoas. O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. (Kant)
E no final, eu amei o que eu amaria, não o que foi ou o que é..
postado por Boo em 11/18/2009 12:41:00 PM.
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Segunda-feira, Novembro 16, 2009
“Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Eles pensavam que, porque queriam, era possível. Defeitos, todos os têm, não é mesmo? Diferenças podem acrescentar, não podem? Então, tentaram. No início, tudo era motivo de sorriso. E daí se ele gostava de forró e ela de Pink Floyd? “Pinky do cérebro?” “Haha, não, não, um dia eu te mostro.” “Escuta aqui a letra dessa música, que coisa poética.” “Poesia!? Bob Dylan teve uma crise epiléptica por transmissão de pósitrons agora! No dia que isso for poesia, meu caderno de caligrafia da 1ª série vai bater o Aurélio como exemplo de gramática da língua portuguesa!”
“Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar era fácil.”
E o tempo passou. E o tempo destrói tudo. Bastava querer, não é mesmo? A + B = C.
“Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.”
Tentaram adaptar-se, tudo em vão. Desacertos. Desentendimentos. Sorrisos estáticos enquanto os olhos estavam úmidos. É fácil trocar as palavras, difícil é interpretar os silêncios! - F. Pessoa bem dizia.
E tudo tornou-se cobrança. Uma desatenção era motivo de rancor. O eterno pisar em ovos. Se ela falasse, perderia-o? Mas, por não falar, ela se perderia e, por ela se perder, ela o perderia, também.
“Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.” Clarice Lispector - Por não estarem distraídos.
E o fim, já previsto. E a mágoa, já esperada. E agora?
"eu preciso andar um caminho só vou buscar alguém que eu nem sei quem sou."
postado por Boo em 11/16/2009 08:39:00 PM.
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Domingo, Outubro 25, 2009
Demônios internos
Analisando os arquivos antigos desse blog, senti vergonha do que escrevi em vários momentos. Sabem, eu já tive um gênio bem difícil. Não falo que ele tornou-se fácil (certas coisas levam tempo), mas aprendi muita coisa nessa vida. Uma delas diz respeito às ações em resposta à ignorância de outras pessoas. Já fui de argumentar, discutir, alterar-me, enfim, entrar na briga pra vencer na porrada mesmo. O tempo, contudo, ensinou-me o seguinte: não vale a pena perder a razão. NUNCA. Ao agirmos por impulso, tendemos a nos igualar com aquele que nos feriu e isso gera uma reação em cadeia, porque outras pessoas que não tinham a menor participação na história terminam sendo feridas, também. Eis um texto bem interessantes sobre esse assunto:
Um velho avô disse a seu neto, que veio a ele com raiva de um amigo que lhe havia feito uma injustiça:
- Deixe-me contar-lhe uma história. Eu mesmo, algumas vezes, senti grande ódio daqueles que magoaram tanto e que não demonstraram qualquer arrependimento ao que me fizeram. Todavia, o ódio lhe corrói, mas não fere o seu inimigo. É o mesmo que tomar veneno desejando que seu inimigo morra. Lutei muitas vezes contra estes sentimentos.. E ele continuou: - É como se existissem dois lobos dentro de nós.Um deles é bom e não magoa. Ele vive em harmonia com todos ao redor dele e não se ofende quando não se teve intenção de ofender. Ele só lutará quando for certo fazer isto, e da maneira correta. Mas o outro lobo, ah! Esse é cheio de raiva. Mesmo as pequenas coisas o lançam num ataque de ira. Ele briga com todos o tempo todo e sem qualquer motivo! Ele não consegue raciocinar, porque sua raiva e seu ódio são muito grandes. E é uma raiva inútil, pois ela não irá mudar nada do que aconteceu..Algumas vezes é difícil conviver com estes dois lobos dentro de nós, pois ambos tentam dominar nosso espírito.
O garoto olhou intensamente nos olhos de seu avô e perguntou: - E qual deles vence, vovô?
O avô sorriu e respondeu baixinho: - Aquele que eu alimento mais freqüentemente.
"E no final, o amor que você recebe equivale ao amor que você dá."
- Que linda a cor do seu cabelo, são mechas californianas? - Mecha de quem? - Californiana, aquela que é só nas pontas. - Não, não, isso é falta de tempo e de dinheiro pra consertar o cabelo em salão especializado.
A moda anda tão democrática que até quem não faz esforço pra estar nela está sendo copiado, cambada.
Enquanto isso, poeminha vagabundo escrito num muro de Fortaleza: "Tanta coisa pra te dizer, tanta coisa pra te falar/ E, apesar de todo esse tempo/ é tão difícil disfarçar que eu nunca deixei de te amar."
Huar. (Pensamentos de bobinhos apaixonados da 4ªsérie ainda me comovem.)
postado por Boo em 9/25/2009 12:21:00 PM.
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Domingo, Setembro 13, 2009
Nunca eu tivera querido Dizer palavra tão louca Bateu-me um vento na boca E depois no teu ouvido Levou somente a palavra Deixou ficar o sentido
O sentido está guardado No rosto com que te miro Nesse perdido suspiro Que te segue alucinado No meu sorriso suspenso Como um beijo malogrado
Nunca ninguém viu ninguém Que o amor pusesse tão triste Esta tristeza não viste E eu sei que ela se vê bem Só se aquele mesmo vento Fechou teus olhos também
Cecília Meireles
"Arrependemo-nos raramente de falar pouco, e muito frequentemente de falar demais: máxima usada e trivial, que todo o mundo sabe e que ninguém pratica." Jean de La Bruyère
Creio que o problema não seja necessariamente "falar". O problema, na maioria das vezes, é "como se fala".(ou, em outros casos, "como se compreende".)
postado por Boo em 9/13/2009 11:54:00 AM.
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Sábado, Agosto 01, 2009
Maru
Não é de hoje que vocês já devem ter percebido meu interesse por felinos. Até os dezessete anos, quando ganhei minha primeira gatinha, eu não compreendia como alguém poderia gostar de entidades peludas e causadoras de espirros que dormem, comem e nos miram com olhar de desprezo o dia todo. Foi então que eu aprendi que certas belezas só são compreendidas por quem as vivencia. No caso, todos os gatinhos que me presentearam com sua companhia se tornaram amigos fiéis e extremamente carinhosos. Descobri que, diferentemente dos cães, os gatos só demonstram sua real personalidade àqueles que eles escolhem como donos e, uma vez que um gatinho é cativado, você se torna eternamente responsável por ele. (mas todas as amizades - sejam elas entre quais espécies forem - não deveriam ser assim?) Nada contra os cachorros, aliás, quem conheceu minha finada cadela Milla também sabe o quanto eu a amava. Eu diria que não há uma relação de melhor/pior entre essas duas espécies; elas são, simplesmente, diferentes. Por exemplo, eu sou alucinada por café e por chocolate. Se alguém me dissesse que eu teria de escolher entre um dos dois, quando esse alguém se distraísse eu meteria o chocolate no bolso e sairia correndo com a xícara de café. (simples, muito simples) Mas então. Gostaria de apresentá-los o gatinho japonês Maru.
Como vocês podem perceber, ele tem uma certa queda por caixas grandes de papelão.
E por caixinhas de papelão com propaganda de iorgute dietético também.
:::Oraessa, se eu tivesse tempo livre, filmaria as traquinagens da Sylvie e do Chá-Chá também!:::
postado por Boo em 8/01/2009 02:37:00 AM.
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Sexta-feira, Julho 24, 2009
Apresentações
::::O namoradinho carinhoso da gata gorda, o gato Chá-Chá.:::
postado por Boo em 7/24/2009 04:58:00 PM.
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Filosofemos
Presenteando-me com um intervalo enquanto escrevo um capítulo para um livro de Ginecologia (a propósito, se alguém puder me fornecer algum artigo científico sobre 'sangramento anormal no climátério' do ano de 2005 pra cá eu ficaria deveras feliz&contente), flaguei-me pensando no ato de estupidez que eu cometi hoje ao apagar um SPAM nos comentários e terminei apagando tambem as palavras de afeto&carinho do meu querido leitor Ubiratan, vulgo Bira, que estavam logo abaixo.
A propósito e NADAVER com o texto,'Ubiratan'é o nome de um professor de química da época do cursinho que, certa vez, presenteou-me com balas de gengibre que eu detestei mas que guardei a caixa com carinho porque ele disse que o desenho da embalagem o lembrou de um desenho que eu fizera dele há algum tempo. (e antes que vocês me perguntem, o desenho era meiguinho.)
Infelizmente, não pude salvar os comentários desse leitor, mas me diverte o fato que, depois de tanto tempo, ele vem aos comentários fazendo referência ao tempo em que eu prestava vestibular (e eu já passei da metade do tempo de faculdade) e citando um namoro que acabou há mais de três anos ( que hoje é uma bela amizade, felizmente) enquanto eu já tive outras experiências depois desse relacionamento (aliás, estou no meio de uma delas, a diferença é que eu não a exponho aqui) como se tais fatos me afetassem. É semelhante a algum coleguinha que ficou chateado com você nos tempos de jardim da infância aparecer hoje na sua vida adulta dizendo que você é "bobo" e que nunca conseguiu lhe perdoar porque, um dia, vocês trocaram uns pontapés porque vocês dois queriam o mesmo pedaço do bolo de aniversário de outro coleguinha seu.
Bira, preciso lhe informar,a vida não é um retrato: ninguém é inerte, ninguém é imutável. Eu amadureci nesses três anos, e lhe sugiro que faça o mesmo. Tanta coisa bonita e terrível aconteceu na minha vida depois dos fatos que você relembrou que hoje tais recordações me dão o conhecido 'sorriso da saudade', uma vez que eu já tirei delas o que elas tinham a me oferecer (e a gente tem de carregar consigo o que é bom, o resto é resto). Sugiro que você analise sua raiva e o seu rancor e se pergunte o porquê da necessidade de você transferi-los para mim. Desejar mal a alguém gratuitamente é a mesma coisa de tomar veneno todos os dias e esperar que outra pessoa morra envenenada, caro leitor abusadinho.
No mais, como diriam os Beatles, a vida é muito curta e não há tempo para implicâncias e brigas, meu amigo.